E-book 047 - O Guardador de Rebanhos

Data de publicação: 20/06/2020, 18:25

Alberto Caeiro foi o primeiro heterônimo que Fernando Pessoa criou, a acreditar-se no que comunicou a Casais Monteiro, fruto de um “dia triunfal” de sua vida, quando, de pé, escreveu “trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase”, abrindo-os “com um título – O Guardador de Rebanhos”.

A poesia de Caeiro é prosaica, coloquial, despojada, de modo a anular o que caracteriza o texto poético convencional. Não há rimas nem ritmo de rigor métrico. Escolheu o verso livre dos modernos.

Alberto Caeiro, conforme a biografia que dele escreveu Fernando Pessoa era um ignorante da vida e quase ignorante das letras. Nasceu em Lisboa, mas passou quase toda vida numa quinta do Ribatejo, onde escreveu grande parte dos poemas d’O Guardador de Rebanhos, d’O Pastor Amoroso e alguns dos Poemas Inconjuntos. Caeiro vê, ouve; tem olfato, paladar e tato. Seus pensamentos são todos sensações.

Pensa “com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e os pés / E com o nariz e a boca. // Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / E comer um fruto é saber-lhe o sentido”. 

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