LíderCast 206 - Alessandro Loiola

Data de publicação: 19/10/2020, 15:12

Médico, segunda aparição no LíderCast, por conta de seu trabalho incansável em interpretar os dados sobre a Pandemia com ceticismo saudável, tentando jogar um pouco de lucidez num cenário de histeria.

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Alessandro Loiola, médico em sua segunda aparição no LíderCast, por conta do seu trabalho incansável em interpretar os dados sobre a pandemia, com ceticismo saudável, tentando jogar um pouco de lucidez num cenário de histeria. Muito bem, mais um LíderCast, esse aqui é um programa raro, é uma pessoa que vem pela segunda vez no LíderCast. São poucos viu, acho que você é o segundo, é o terceiro, é o terceiro. O primeiro foi o Paulo Rabello de Castro, veio primeiro como candidato e depois, não ele veio primeiro como economista e tudo mais e depois veio como candidato a Presidente da República. Depois veio o Cid de Oliveira e agora vem você, e você vem por uma razão muito simples, que eu não vou nem fazer as... ah, vou fazer sim, vai. Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Alessandro Loiola: Alessandro Loiola, eu sou amigo do Luciano, médico especialista em pagar conta, eu tenho 49 anos de idade.

Luciano Pires: Perfeito. O Alessandro teve já comigo aqui já no LíderCast a bastante tempo atrás, quem quiser procurar aí que procure, eu o trouxe aqui como um médico, como um intelectual, como um grande investigador aí do ser humano, não só da questão física do ser humano, como da questão mental, de inteligência e tudo mais, o trabalho dele é brilhante, muito legal, e da última vez que ele veio para cá até hoje esse cara fez uma revolução na vida dele que foi uma coisa louca, bom ele foi trabalhar na Secretaria da Cultura, foi para Brasília, mudou de lugar, cara é uma loucura, e ultimamente ele tem causado barulho na internet porque ele acabou assumindo, acho que isso é um carma, ele acabou assumindo uma função que é a função de tentar colocar um pouco de lucidez na discussão sobre as questões da pandemia, etc. e tal, porque o cara é médico, é médico e trabalha como médico, a vida dele ele vive a questão da medicina, da saúde diariamente, e a hora que começaram a chegar as informações sobre a pandemia ele notou que tinha algo estranho acontecendo. E ao invés de ficar quietinho no seu casulo ele resolveu falar a respeito, começou a botar tuíte, já foi em vários programas de televisão, já deu um monte de entrevistas para todo lado aí e acabou se transformando numa das vozes dissidentes, que toma pedrada para todo lado, que é xingado até a última geração, e eu fiz questão de trazê-lo aqui hoje para a gente ouvir um pouquinho sobre essa – eu gosto demais de um termo chamado que é o ceticismo positivo, não é o ceticismo negativo, mas é aquele que eu duvido porque eu quero acertar, eu duvido porque eu quero fazer certo, então vamos duvidar juntos – por isso que eu trouxe você aqui. E antes da gente começar eu quero fazer um – os americanos chamam de statement – vou fazer aqui uma colocação muito clara aqui, aliás, vou fazer sob a forma de pergunta, sob pergunta. Você acredita que existe um vírus que causa um negócio chamado Covid? Existe?

Alessandro Loiola: Sem dúvida alguma, o vírus existe.

Luciano Pires: Perfeito. Esse vírus é perigoso, ele mata?

Alessandro Loiola: Sim. É extremamente perigoso.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: Para alguns grupos, mas sim, ele é perigoso.

Luciano Pires: Ele é perigoso, perfeito. Você acha que as medidas que devem ser tomadas nesse momento de pandemia são medidas excepcionais ou não devia ter sido feito nada de excepcional, devia ser sido tratada como qualquer gripezinha?

Alessandro Loiola: Deveria ter sido tratada como qualquer gripezinha.

Luciano Pires: Muito bem. Então estamos chegando no ponto crucial, olha só, eu não sou negacionista e o Alessandro também não é.

Alessandro Loiola: Não, inclusive quando a gente estava conversando antes, a gente foi bem claro nisso, que o vírus existe sim, ele causa doença sim, essa doença é potencialmente letal sim. O problema é que a partir dessa premissa foi construído um castelo de fraude em cima do vírus, e isso é o terrível.

Luciano Pires: Nós vamos chegar lá então. Então para você que está começando a ouvir a gente aqui, eu sei o que vai acontecer, eu sei que quando terminar o programa eu vou ouvir um monte de abobrinha, que as pessoas vão começar a gritar no meio do caminho e a gritaria a gente já sabe qual é que é. Negacionista, você está tripudiando sobre quem morreu, você está dizendo que não tem, não tem, não tem. Por isso que eu quero começar dizendo tem, existe, as pessoas morreram, infelizmente tem cento e cinquenta mil mortes e vão morrer mais pessoas, isso é uma tragédia e ninguém nega que isso esteja acontecendo. Não tem como nem ir contra isso, não tem como nem dizer: não concordo que seja. Está aí, está claro, as mortes estão acontecendo. Podemos discutir se são cento e cinquenta e se as cento e cinquenta mil são por causa do vírus, mas algo estranho está acontecendo e alguma coisa tem que ser feita a respeito. A partir daí começam a vir umas loucuras. Vamos tentar fazer uma cronologia rapidinha aqui, isso de memória mesmo, eu não anotei nada, aqui a gente vai cronologia. A gente começa a falar num vírus estranho, numa epidemia, foi lá para dezembro, janeiro, apareceu alguma coisinha.

Alessandro Loiola: O primeiro caso foi registrado e confirmado em Wuhan em meados de dezembro, algumas fontes dizem no final de novembro, mas o que a gente tem certo mesmo, em torno de oito a nove de dezembro primeiro caso de Covid registrado no mundo.

Luciano Pires: Sim. E o problema começa aí porque essa coisa acontece na China e as informações que saem da China são absolutamente...

Alessandro Loiola: Não confiáveis.

Luciano Pires: Não confiáveis. Então o que contam que aconteceu lá, é o que eles deixaram que soubessem. Então se foi uma vítima só e se começou em dezembro ninguém sabe direito. Tanto que o médico, o primeiro que gritou lá, já apagaram o cara, o cara já desapareceu.

Alessandro Loiola: Um oftalmologista.

Luciano Pires: Mas ali começa, algo está acontecendo num mercado porque alguém comeu um morcego. É uma explicação até meio que bastante simplória. Alguém comeu um morcego, o morcego tinha o vírus, atacou o cara, o cara morreu e foi contaminando e dali a coisa viajou para o mundo. Mas eu me lembro que discussão começou, em janeiro começou a ficar... olha espera um pouquinho, será que esse negócio é infeccioso, será que não é, como é que pega? A OMS entra na história, não, calma um pouquinho, e de repente começa a pipocar um caso aqui, outro caso ali, até que a coisa explode na Itália. Eu me lembro que a Itália foi o momento de que...

Alessandro Loiola: Na verdade uma das grandes mídias que teve foi em fevereiro o Diamond Princess, não sei se você lembra.

Luciano Pires: O navio.

Alessandro Loiola: O navio que estava lá em Yokohama, no Japão, aí ali começou, já estava já todo mundo preocupado que o vírus estava ganhando o mundo e aquele navio foi a grande vitrine, porque o navio teve que ficar parado vários dias, pessoas morreram, os Estados Unidos mandaram uma missão especial lá, se não me engano acho que foi no dia 17 de fevereiro, para resgatar alguns americanos que estavam no navio. Aí sim, aí foi a hora que acho que para mim o negócio explodiu na mídia.

Luciano Pires: Em paralelo o negócio estava explodindo na Itália. Porque o volume de mortes começou a acontecer muito grande na Itália. O Lorenzo Ridolfi comentou comigo, e falou para mim, falou: cara olha que coisa interessante, esse acontecimento no navio era o laboratório perfeito. Porque era um navio isolado, tinham três mil pessoas lá dentro e o que acontecesse ali estava perfeito para se fazer uma grande experiência. E ele falou: e ninguém considerou o que aconteceu no navio. O que se aprendeu naquele navio não foi multiplicado.

Alessandro Loiola: O vírus, causa uma doença, é potencialmente letal, aparentemente tem uma taxa de infectividade alta, mas ele também tem uma taxa de pessoas assintomáticas bem alta, ou seja, para o ser humano habitual, médio, independente da faixa etária, mas independente da nacionalidade também, ele não é um vírus de alta letalidade, essa é a grande combinação do Covid, ele é um vírus de alta infectividade e de baixa letalidade, ele pega muita gente, mas ele produz poucos sintomas na maioria, e mata muito pouco, não quer dizer que ele não mata, mas outras doenças infectocontagiosas que transmitem da mesma maneira que o Covid, por meio de contato respiratório, pneumonia bacteriana, Tuberculose, Influenza, têm taxas de mortalidade maiores que o Covid.

Luciano Pires: E você está citando doenças com as quais eu convivo como se elas não existissem. Eu convivo normalmente, eu não vou dormir apavorado por causa da Tuberculose, e ela está aí, e está matando aí. Bom, mas vamos continuar na nossa história. Aí a coisa vai, explode na Itália e a Itália fica numa situação calamitosa, porque aí eu acho... uma coisa é a mídia contar que tem um navio infectado, outra coisa é a mídia começar a contar que tem um país infectado e de repente começar a mostrar filas de caminhões militares com corpos no caminhão, aí o negócio começou a ganhar uma dimensão gigantesca porque as pessoas morriam como moscas lá. E ninguém entendia o que estava acontecendo, porque era numa região, era no norte da Itália. O que aconteceu ali? E aí eu me lembro que aí começaram as contradições, aí começou a história, não, morreu porque era velhinho, mas o velhinho estava trancado em casa, aí ninguém mais conseguia entender o que estava acontecendo. Dali a coisa explodiu, aí foi para os Estados Unidos e chegou ao Brasil. E ela chega no Brasil na época do Carnaval, quando pelo que se pintou até então já era o momento para ter ser sido tomada algum tipo de providência. Então espera um pouquinho, está claro que o bicho está pegando, é uma pandemia, ninguém sabe o tamanho que esse negócio é.

Alessandro Loiola: A OMS declarou a pandemia no dia 11 de março.

Luciano Pires: 11 de março, já tinha passado o Carnaval então.

Alessandro Loiola: Ela declarou o Covid como um estado de emergência, uma doença que deve se prestar atenção internacionalmente um pouco antes disso, mas o Covid foi declarado uma pandemia em 11 de março de 2020.

Luciano Pires: 11 de março, porque tem muita gente que disse que a gente já devia ter tomado uma providência aqui para: não faça o Carnaval. Porque no Carnaval a gente sabia que haveria um problema sério do vírus chegar ao Brasil e ser disseminado por causa do Carnaval. Então não era bem assim porque o Carnaval aconteceu antes da declaração de pandemia. É isso?

Alessandro Loiola: Eu não lembro exatamente a data do Carnaval, eu sou mais ligado em dados de doenças do que em dados de festas, de festividades desse jeito, então.

Luciano Pires: Também não vou lembrar quando é que foi, mas eu me lembro que começou...

Alessandro Loiola: Mas foi por volta desse período, vamos considerar, vai.

Luciano Pires: Quando começou a confusão ali. Tá certo. E é difícil, ninguém sabia como é que era ninguém sabia como é que pegava ou não. Lembra? Pega no ar ou não pega no ar? Pega no toque ou não pega no toque? Era uma confusão muito grande. E aí a coisa começa a ganhar uma dimensão, cara eu estou com 64 anos de idade, eu não me lembro nunca na minha vida de ter visto nada parecido do ponto de vista de uso midiático de alguma tragédia. Eu me lembro de uma coisa assim pontual, a queda das torres gêmeas, mas aquilo durou uma semana e a pandemia há sete meses tem um mortômetro. Tem um mortômetro na televisão, há sete meses todo dia a gente vê aquilo de manhã, de tarde e de noite. Isso começou a provocar algumas consequências complicadas, a principal delas é uma consequência que eu diria que ela é cognitiva. Aquilo começou a me dificultar a tomar decisões na minha vida, começou a ficar complicado para mim. Me complicado profissionalmente porque meu trabalho foi para as cucuias, dançou, acabou palestra, não tem mais palestra para fazer, então já tem uma consequência econômica na minha vida, começou a influenciar nas minas decisões. O que é que eu vou fazer daqui a pouco? A viagem que eu ia fazer, não faço mais, o investimento que eu ia fazer não fiz mais, empresas pararam seus planos, mandaram gente embora, então começou uma confusão toda calcada na suposição de que algo impressionante, gigantesco estaria acontecendo e que muita gente podia morrer. Então eu tenho uma palestra que eu começo mostrando a Pirâmide Maslow e falando o seguinte: essa é a primeira vez que eu vejo na minha vida uma crise que ameaça a base da pirâmide. Que até então ela ameaçou a parte de cima, ela ameaçou eu perder meu emprego, perder dinheiro, não poder fazer minha viagem. Perder dinheiro, foi isso que sempre teve em risco, agora o risco é a minha vida, minha vida, de quem eu gosto. Então numa situação como essa eu não sei o que fazer, eu não sei o que fazer, e é muito fácil eu ficar histérico. E o que eu comecei a ver foi um clima de histeria generalizado que acabou ganhando ares surreais, nego soldando porta de loja, cara prendendo banhista na praia, proibindo, pode abrir o boteco, mas não pode abrir a escola, não pode abrir igreja, mas pode abrir... uma confusão generalizada que chegou onde nós estamos hoje. Qual é o momento em que acende uma luzinha na tua cabeça que você olha para isso tudo e: fala espera um pouquinho essa coisa não está consistente com a minha experiência como médico?

Alessandro Loiola: Quando eles começaram a mostrar imagens de chineses desmaiando no meio da rua e os caminhões recolhendo corpos na Itália, e no Equador também uma crise sanitária porque tinham mais de 150 corpos para serem recolhidos pelo Instituto Médico Legal de lá e as pessoas estavam se acumulando. Eu fui lá e corri atrás, tinha um site, tem um site, acredito que está no ar ainda, chamado EUROMOMO, que mostrava os números de mortes na Europa, o conjunto de números de mortes, qual era a previsão mínima, qual era a previsão máxima, a variação usual segundo a série histórica e o que estava acontecendo na vigência do Covid.

Luciano Pires: Esse site já existia sem Covid?

Alessandro Loiola: Já existia sem Covid.

Luciano Pires: Monitorava mortes.

Alessandro Loiola: É. Monitorava a taxa de mortalidade na Europa. Inclusive na época fui, escrevi, o Bernardo Kuster entrou em contato comigo, eu escrevi um artigo para o Brasil Sem Medo, se o pessoal procurar lá no site deles tem, foi logo no comecinho. E eu vi que não estava batendo. Assim, as taxas de mortes geral do país, de vários países, não estavam acima do usual para o período, havia picos sim, mas nada além do normal, e eu comecei a suspeitar que talvez esses números não estivessem correspondendo à realidade. Mesmo no Brasil, apesar de a gente ter tido aí um número terrível, cento e quarenta, cento e cinquenta, cento e sessenta mil mortes, os mortos vão subir, é evidente, não tem jeito. Mas mesmo a gente vendo esse número, vamos considerar vai, quando a gente bateu a meta das cem mil mortes, no Brasil morrem oitenta, cem mil pessoas todo mês, todo mês. Ah, o Brasil deve ser um dos campeões de mortes no mundo. Bom, o quinto maior território e a sexta maior população do mundo. É. Qualquer coisa que você ver, se você vender uma tampinha de Bic, de caneta Bic aqui no Brasil é capaz de você ficar milionário. Você vender uma tampinha de caneta Bic na Suíça de repente não, a Suíça é do tamanho da ilha de Marajó.

Luciano Pires: Você está levantando o primeiro ponto importante que é o número absoluto, a avaliação das coisas a partir do número absoluto. Então mil mortes é um absurdo, aonde? Em Madagascar, no Brasil, talvez seja bobagem. Por quê? Porque aqui têm duzentos milhões de habitantes, lá tem...

Alessandro Loiola: O estado de São Paulo tem quarenta e oito milhões de habitantes, a Espanha tem quarenta e sete. Se você pegar a área do país França, ela cabe duas vezes dentro do Pará e sobra espaço para fazer estacionamento à vontade. Então uma das maldições que o brasileiro tem que é esse complexo de vira lata, isso tem que ser resolvido o mais urgente possível, nós somos um país extraordinário e muito mais do que extraordinário, nós somos imensos, quem quer que tenha feito uma viagem de moto, carro ou avião por esse país tem ideia da exata dimensão que isso aqui é. De novo, volto a falar, o rio Amazonas movimenta uma quantidade de água tão grande e leva uma quantidade de sedimentos tão grande que esse volume inteiro de debris carregados pelo Amazonas formou uma ilha na foz do Amazonas, que é a ilha de Marajó, que tem por volta de quarenta mil quilômetros quadrados, é uma ilha formada por debri de rio, que tem quarenta mil quilômetros quadrados. Luciano, esse é o tamanho da Suíça. Um rio no Brasil levou areia suficiente para construir uma ilha que é do tamanho da Suíça. O Rio de Janeiro é do tamanho da Dinamarca, o estado de São Paulo é equivalente à Grã-Bretanha. Então cara, comparar taxa total de mortos de qualquer outro país com o Brasil é meio complicado, por isso que a gente tem que sempre falar de mortes por milhão de habitantes.

Luciano Pires: Aí você vai para uma questão estatística, você vai falar de um percentual, aí eu consigo comparar Madagascar com o Brasil sem problemas.

Alessandro Loiola: São seres humanos, é o mesmo vírus, é a mesma classe de mamíferos, ser humano, homo sapiens, é o mesmo vírus, que é o Covid, e a gente criou uma régua, um milhão pessoas em Madagascar é um milhão de pessoas em São Paulo, é um milhão de pessoas no Rio de Janeiro, é um milhão de pessoas no Brasil inteiro e por aí vai. Logo no comecinho da pandemia veio um trabalho publicado pela equipe coordenada pelo Neil Ferguson, lá no Imperial College, Neil Ferguson que tem o antecedente de errar em quase todas as previsões que ele faz, ele errou na previsão de epidemia de doença da vaca loca, na Grã-Bretanha, ele errou na projeção de mortes por gripe suína, ele errou na projeção de mortes por gripe aviária, e aí ele lançou uma previsão de que esse vírus novo ele iria infectar mais ou menos 81% da humanidade toda, com uma taxa de letalidade de 0.9%. Taxa de letalidade é: do universo das pessoas que contraíram o vírus, quantas morreram?

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: Então ele falou que era 0.9%.

Luciano Pires: O que significa que de 100 pessoas menos de 1% morreria, menos de uma morreria com essa taxa. Não é?

Alessandro Loiola: Mas quando a gente levanta isso ao nível da população mundial, só nos Estados Unidos significa assim, uma projeção de dois milhões e duzentas mil mortes.

Luciano Pires: Não, você pega oito bilhões no mundo isso daí vai dar sessenta milhões de mortes.

Alessandro Loiola: Exato.

Luciano Pires: Alguma coisa assim. É muita gente.

Alessandro Loiola: Exato.

Luciano Pires: Então uma outra pausa para nós aqui. Vocês estão vendo como é que a coisa começa a escalar, ela começa pequenininha, 0,09, ou 0,9 é nada, mas quando você extrapola para nível mundial são cinquenta e oito milhões. Então olhar cinquenta e oito milhões é um tipo de enquadramento que você dá que torna o problema imensurável, quando você olha o percentual é muito baixo, 0,9 é muito pouco. Porque representa tanto? Porque tem gente demais no mundo. Esse é um ponto importante então, tomar muito cuidado com análises de números frios. Número absoluto, número frio, cara, não, não.

Alessandro Loiola: Só que existem dois problemas com o relatório, na verdade existem vários problemas, mas eu saliento dois problemas principais com o relatório inicial do Imperial College que foi o que assustou todo mundo e fez os países saírem correndo e declarar lockdown.

Luciano Pires: Então para, faz uma pausa para mim, só para uma coisa aqui. Eu não quero que fique parecendo aqui que o Neil Ferguson é um bosta. Entendeu? Esse cara não é um bosta, se fosse um bosta ele não teria a importância que tem, ele não seria ouvido como ele é. Ele não estaria assinando tese. Eu não sei se já ganhou um Nobel ou se já não ganhou alguma coisa assim, mas é um cara extremamente conceituado apesar dos erros que ele cometeu. Entendeu? Então ele está lá e está impactando diretamente nas vidas de todo mundo e continua sendo ouvido. Então não deve ser um bosta, se fosse um bosta ele teria sido destruído no primeiro erro dele. Não é?

Alessandro Loiola: Eu lamento discordar profundamente. Ele é um matemático, ele é epidemiologista, mas ele é um bosta. Como diria Evelyn Beatrice Hall, respeito a sua opinião e defendo que você tenha o direito de emiti-la, mas eu completo dizendo que... mas eu discordo dela.

Luciano Pires: Então, mas vamos lá, vamos lá. Como é que um bosta tem essa posição, tem essa visibilidade, consegue influenciar políticas de estado há anos errando sistematicamente.

Alessandro Loiola: Aí a gente vai entrar num jogo de geopolítica que talvez fuja ao escopo de falar sobre a pandemia.

Luciano Pires: Você entendeu o que eu quis dizer quando eu falei de um bosta?

Alessandro Loiola: Sim. Mas a gente...

Luciano Pires: Um bosta é um cara insignificante, um cara que ele é destruído na primeira... na primeira vez que ele aparecesse e falasse uma merda qualquer ele já teria sido destruído.

Alessandro Loiola: Desde a fundação nenhum diretor geral da ONU foi conservador ou direitista, todos os diretores gerais da ONU foram esquerdistas, socialistas, todos, alguns de carteirinha. O Tedros, que é o presidente da OMS, que é o diretor geral da OMS, ele é médico, tudo bacana, mas ele é filiado a um partidão marxista revolucionário na Etiópia. Então esse pessoal é um clube, assim como nós temos o clube dos direitistas, assim como existe o clube dos centristas, assim como existe o clube dos esquerdistas, esse pessoal representa um clube, e dentro do clube deles – sabe aquele negócio assim? Eu posso brigar e bater no meu filho, mas se alguém encostar o dedo nele eu mato.  – Então esse clube tem os ícones dele.

Luciano Pires: Mas vamos lá de novo.

Alessandro Loiola: Então o Neil Ferguson foi, estabeleceu...

Luciano Pires: O Neil Ferguson circula no ecossistema da ciência.

Alessandro Loiola: Não.

Luciano Pires: Onde é que ele circula?

Alessandro Loiola: No ecossistema da ideologia com viés superficial de ciência, mas ela é ideológica, não é ciência, ele pegou... o Covid, existem sete tipos de Covid que a gente conhece até aqui, devem haver mais, mas a gente conhece até aqui sete tipos. Quatro tipos dele não causam praticamente nada, é no máximo um resfriado, três tipos, o SARS-COV-1, o MERS e o SARS-COV-2, que a gente chama agora que é o COVID-19, eles causam uma doença que tem uma taxa de letalidade um pouco maior. Mas há um viés aí, porque foram realizados poucos testes específicos e acompanhamentos epidemiológicos para o SARS-COV-1, o MERS, que aconteceu no Oriente Médio, também ele tem uma taxa de letalidade de 37%, mas essa taxa ela tem que ser considerada entre aspas, porque nós não testamos tantas pessoas assim para o MERS.

Luciano Pires: O MERS foi do quê? Foi do frango?

Alessandro Loiola: Foi do Oriente Médio, foi uma gripe que deu no Oriente Médio.

Luciano Pires: Sim.

Alessandro Loiola: E agora veio o SARS-COV, que no começo, mesmo nesse relatório do Ferguson, que ele falava 0,9% de taxa de letalidade, na sequência foi publicado um trabalho de Singapura que falava em 0,85% de taxa de letalidade. Mas o grande erro do Ferguson é que ele fez isso, primeira coisa, utilizando um programa de estatística que ele havia, ele mesmo havia escrito 13 anos atrás, para uma eventual pandemia de Influenza. O SARS, o COVID-19 e o Influenza são vírus parecidos, mas não tão parecidos assim. São parecidos, mas não tão parecidos assim. E ele fez a conta, a projeção de mortalidade dele, geral do mundo, ele fez a conta como se o vírus, o COVID-19 fosse pegar 81% da população mundial, e isso é um absurdo. A gente estava até conversando, fazendo um breafing antes de entrar aqui, na pandemia de gripe espanhola, do começo do Século XX que teve o auge dela em 1918, se a gente fizer um cálculo generoso, ela foi de 17 a 1920, mas o pico dela realmente, 1918. A gripe espanhola matou no mínimo vinte milhões, no máximo quarenta milhões. É gente pra caramba. Vamos lembrar que no começo do Século XX havia só dois bilhões de pessoas no planeta, se de dois bilhões de pessoas morrem quarenta milhões num intervalo de um ano e meio, isso...

Luciano Pires: Se projetar isso para oito bilhões...

Alessandro Loiola: Vai ser quatro vezes.

Luciano Pires: Cento e sessenta milhões de pessoas.

Alessandro Loiola: É quatro vezes mais. É como se no intervalo de um ano.

Luciano Pires: Morresse quase um Brasil.

Alessandro Loiola: Exatamente, exatamente. Então sim, isso assusta. Só que a pandemia de gripe espanhola ela atingiu um platô e começou a ceder quando mais ou menos 28% da população mundial havia tido contato com o vírus. A gente em cálculos epidemiológicos, que é a famosa imunidade de rebanho, algumas doenças desencadeiam a imunidade de rebanho, colidem com a parede da imunidade de rebanho quando você tem 40, 50, 60% da população infectada. Varia um pouco de doença para doença, não é a mesma taxa de infectados para todos.

Luciano Pires: Basicamente aquela história, o vírus ele quer pular de uma pessoa para a outra ele começa a encontrar, esse não está infectado, aquele também não e ele morre.

Alessandro Loiola: Isso. Na verdade como todo mundo já teve algum contato superficial ou com uma carga viral baixa o seu sistema imunológico desenvolve uma defesa, quando ele vai pular de mim para você, como você já teve um contato na padaria, um pouquinho já teve um contato no posto de gasolina um pouquinho, o seu sistema imunológico ele não é um carneirinho, o nosso sistema imunológico é um cruzamento de Incrível Hulk com leão africano, ele é uma desgraça, a gente tem dentro do corpo uma célula, por exemplo, chamada Natural Killer, a função do Linfóstene K é matar célula cancerosa. Tanto que a gente provavelmente tem vários cânceres ao longo da vida e você não fica nem sabendo. O seu sistema imunológico é tão bravo, tão puto da vida que se você não der alguma coisa para ele morder ele vai morder você mesmo. E é por isso que em países mais desenvolvidos, onde o ambiente é mais higiênico e não tem tanta bactéria para o cara lidar, doença autoimunes são mais comuns. Procura a incidência de doenças autoimunes como Lúpus Eritematoso Sistêmico, Artrite Reumatoide, Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa, procura essas doenças na África, onde o pessoal está lutando contra Hanseníase, contra HIV, você não encontra. Por quê? Porque o sistema imunológico do africano, de um modo geral – não estou querendo generalizar, mas só para poder exemplificar – o sistema imunológico dele tem mais o que fazer.

Luciano Pires: Eu vou guardar as proporções aqui para você ver como a coisa é interessante. O Russomano está sendo criticado aqui em São Paulo, cara, não tenho nada a ver com o Russomano, pelo amor de Deus, porque ele falou que fizeram um levantamento aqui e descobriram que moradores de rua não se infectaram, não tem morador de rua infectado com a Covid, e a explicação dele foi porque esses caras não tomam banho. Então espera um pouquinho.

Alessandro Loiola: Foi um reducionismo, mas ele não está de todo errado no raciocínio.

Luciano Pires: Mas esses caras estão tão expostos a essas coisas que atacam que eles acabam desenvolvendo uma... e eu que sou limpinho, chegou o vírus e ele me pega, eu não estou nem acostumado a lidar com esse vírus, esses caras que lidam com vírus o dia inteiro, estão expostos esse tempo todo eles estão desenvolvendo uma couraça ali.

Alessandro Loiola: Então mesmo na gripe espanhola do começo do Século XX, que era um vírus muito mais agressivo do que o Covid, quando 28% da população desenvolveu esse tipo de contato a imunidade de rebanho brotou no terreno e o vírus começou a perder força, ele não estava conseguindo mais pular de uma pessoa para a outra.

Luciano Pires: Como menos de um terço da população, você falou de 28%.

Alessandro Loiola: 28% para a pandemia mais grave da história humana. Da história humana conhecida, nenhuma pandemia foi tão grave quanto a gripe espanhola do começo do Século XX. A peste negra, por exemplo, ela matou mais pessoas em termos proporcionais da população, ocorreu no Século XIV, mas não numa taxa tão rápida e não com consequências socioeconômicas culturais tão devastadoras quanto a gripe espanhola. As epidemias de Varíola da Idade Média também mataram muita gente, mas novamente, nada perto da intensidade da pancada da gripe espanhola. O HIV matou gente pra caramba, mais de quarenta milhões de mortes aí desde os anos 80. Ou seja, o HIV matou muita gente? Matou. A dupla HIV/AIDS. Matou muita gente? Matou. Matou em torno aí de quarenta milhões de pessoas ou um pouco mais em quarenta anos. Nós estamos falando de uma doença que matou quarenta milhões de pessoas num intervalo de um ano e meio, dois. Então nada, nada foi. E mesmo essa doença, essa gripe espanhola, ela conseguiu infectar 28% e aí ela colidiu com a parede da imunidade de rebanho. O Neil Ferguson utilizou para o modelo dele de projeção de mortes uma taxa de infecção de 81% antes do desenvolvimento de imunidade de rebanho. Para a gente conseguir 81% da humanidade infectada com...

Luciano Pires: Seis bilhões de pessoas, seis e meio bilhão de pessoas.

Alessandro Loiola: Como que um vírus vai infectar seis bilhões de seres humanos no planeta com uma taxa de transmissão tão rápida que ele não enfrente nenhuma barreira da imunidade de rebanho? A conta não fecha, se nós tivemos, se o muro da imunidade de rebanho foi levantado com 28% para o Influenza, que é um vírus muito mais agressivo e muito mais letal. De que maneira essa parede vai levantar só com 81% com um vírus mais fraco? É como se eu tivesse uma equipe de pedreiros muito fortes que em um mês construiu 28 metros de muro. E agora eu tenho uma equipe de pedreiros bem fraquinha que em um mês vai conseguir construir 81 metros? Não bate, não bate. Então a projeção do Neil Ferguson já começou equivocada aí. Que ele estava fazendo uma... pensando no desenvolvimento de uma imunidade de rebanho só quando houvesse 81% da população infectada. Um vírus é pouco provável de ele conseguir infectar essa quantidade de gente em tão pouco tempo, antes de esbarrar com a imunidade de rebanho. A outra coisa foi a taxa de mortalidade que ele fez a conta, ele aplicou uma taxa de mortalidade média para inferior que é relacionada ao Influenza. Os primeiros estudos do Covid sugeriam uma taxa de letalidade do Covid em torno de 0.9, 0.85. Quando ele ganhou a grande mídia, o espetáculo da sociedade midiática começou a jogar essa taxa de letalidade lá para cima, 2%, 3%, 6%. Eu fiz os cálculos no começo da pandemia, eu estava calculando em torno de 0,7% ou menos. Hoje em dia a gente tem...

Luciano Pires: De novo, quando você fala taxa de letalidade você está falando quantos dos que pegaram o vírus e apresentaram os sintomas vão morrer. É isso?

Alessandro Loiola: Isso. Quantas pessoas entraram em contato com o vírus e morreram.

Luciano Pires: Ok. Entraram em contato com o vírus...

Alessandro Loiola: Então o conceito, quantas pessoas entraram em contato com o vírus e morreram. Essa é a taxa de letalidade dele. Quando você pega já em final de junho, começo de julho... ah, detalhe, o relatório do Neil Ferguson orientou vários países a instituírem medidas de lockdown, e quando começou abril, ou seja, 19 dias depois que a OMS declarou o estado de pandemia, vários países, mas são dezenas de países, a lista é bem grande – depois eu até te mando pelo whats – é bem grande, dezenas de países pelo mundo inteiro já haviam declarado lockdown. E lockdown é a medida mais drástica possível, você pensa primeiro em isolamento de alguns casos, depois em uma quarentena vertical, que é pegar as pessoas que estão doentes. O primeiro isolamento é o quê? A primeira etapa, pega as pessoas que estão doentes, internadas e cria uma enfermaria só para elas.

Luciano Pires: Eu chamo dos... são os leprosos bíblicos. Você lembra dos filmes da Bíblia antigamente que tinha lá o Quo Vadis, tudo, todos eles tinham um momento em que havia os leprosos, você chegava, eles estavam num lugar isolado, dentro de uma caverna escura aonde ninguém chegava perto. Que era eu pego os doentes, isolo o doente e deixo a turma sã funcionar normalmente.

Alessandro Loiola: Esse seria um primeiro momento de enfrentamento. Um segundo momento seria o quê? Você isolar as pessoas que estão com sintomas suspeitos.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: Eu nem diagnostiquei que você está com a doença, mas na dúvida, você está com o nariz escorrendo, com febre, fica em casa, evita o contato. Que seria uma quarentena vertical. Uma segunda etapa seria uma quarentena horizontal, vamos tentar deixar o máximo possível das pessoas em casa. E o último nível, o nível mais top, severo, megablaster é lockdown. A OMS declarou a pandemia dia 11 de março, no começo de abril nós tínhamos dezenas, e dezenas, e dezenas de países em lockdown, 19 dias depois. Começaram a construir a casa pelo telhado, pelo telhado, não houve sobriedade, não houve raciocínio nenhum em cima disso aí. Antes de você começar a isolar os pacientes eles começaram a fechar fronteiras, fechar escola, fechar igreja, fechar comércio e trancar todo mundo em casa. O que é um absurdo. E aí eu sempre falo que essa pandemia ela deve ser considerada uma fraudemia, porque o vírus existe, ele causa doença e ele mata. Porém, a partir deste exposto, tudo que se construiu em cima dele é uma fraude, lockdown não salva vidas, a única coisa que o lockdown vai fazer, e no começo isso foi muito bem explicado, e foi muito bem entendido.

Luciano Pires: É achatar a curva.

Alessandro Loiola: E tão rapidamente quanto foi entendido, foi esquecido.

Luciano Pires: Achatar a curva.

Alessandro Loiola: O lockdown é para quê? De repente eu posso ter, eu não conheço esse vírus direito, eu posso ter um fluxo muito grande de pacientes para dentro do sistema de saúde, e não é que eu vou perder os pacientes que estão com Covid, o meu medo é perder os outros pacientes, que está com uma crise de Asma, que está com uma cólica renal, que está com uma Angina, que está tendo um derrame, que está com Apendicite, que está com Meningite. E como o meu sistema consegue atender 100 pessoas por dia, agora eu tenho uma multidão de duas mil pessoas lá fora, histérica, com medo de estar com Covid, no meio desta multidão eu vou perder o cara com crise de Asma, eu vou perder a criança com Meningite. Então quando você promove o lockdown é o quê? Vamos tentar achatar a curva para que o sistema de saúde consiga absorver o primeiro fluxo, se capacitar e se paramentar para se eventualmente acontecer um pico eu consiga absorver todo mundo sem que ninguém fique sem assistência. Então não é exatamente para poder evitar o contágio. O contágio vai acontecer, as pessoas vão ficar doentes, infelizmente mortes irão acontecer. O que eu quero garantir é o quê? Que esse pessoal tenha assistência. É para isso que serve o lockdown. O lance é: a primeira fraude que aconteceu no Covid foi o lockdown, porque as pessoas começaram a entender lockdown como uma maneira de evitar a doença, e nunca foi. Não, vamos continuar, hashtag fique em casa, vamos continuar em casa para evitar a doença. De qual livro de medicina, infectologia ou epidemiologia você tirou o conceito de que lockdown ou quarentena horizontal evita que você pegue uma doença? De onde saiu esse conceito? Eu não conheço ele em nenhum livro. Esse tipo de medidas para pandemias não é para evitar o contágio, é para evitar o fluxo exagerado de pessoas dentro de um sistema de saúde ao ponto de causar o colapso daquele sistema.

Luciano Pires: É uma medida econômica, não é sanitária?

Alessandro Loiola: Eu diria que é uma medida utilitária e consequencialista. Como eu evito que ocorra um excesso de mortes por falta de acesso ao sistema? Então eu vou tentar deixar as pessoas em casa. Mas a primeira coisa equivocada foi o quê? As pessoas começaram a entender que lockdown é para evitar o contágio. A segunda coisa criminosa que fizeram nesse país é que a gente teve um Ministro da Saúde falando fique em casa, hashtag fique em casa. Nunca, eu estou com 23 anos de medicina e você pode pegar vários livros de medicina que você quiser. Qualquer princípio de medicina boa, científica, bacana, correta, ética, ela diz o quê? O melhor é prevenir. Prevenir, para isso a gente tem vacina, para isso a gente defende sanitarismo, 48% dos brasileiros não têm tratamento de esgoto. Então para isso que a gente define medidas sanitárias, escove os dentes, tome banho, alimente-se bem, faça atividade física. Por quê? Porque isso previne um monte de doenças, mas não estou te garantindo que você não vai adoecer. Na sequência, se você adoecer, outro dogma, outro axioma médico é o quê? Diagnóstico e tratamento precoce. Isso funciona para Meningite, isso funciona para Apendicite, isso funciona para pressão alta, não procura seu médico para você se tratar depois que você estiver infartado e com metade do teu corpo paralisado por causa de um derrame. Se sua pressão está um pouco... verifique a pressão preventivamente, se ela estiver alta inicie o tratamento o mais cedo possível. Você não fica em casa esperando ter um infarto e três derrames para aí você ir fazer o tratamento. Então a primeira coisa, vamos tentar evitar a doença. Não é possível evitar a doença? É uma doença infectocontagiosa que vai correr para todo lado? Não tem como, lockdown não vai evitar que você pegue? Então, se você tiver sintomas, procure seu médico. Em qualquer livro de medicina que você pegar está escrito isso aí. Em caso de sintomas procure seu médico, não é em caso de piora dos sintomas, é em caso de sintomas. Em caso de piora da Meningite no seu filho leve ele no Pediatra, em caso de Metástase do seu câncer, procure o Oncologista. Onde você leu isso? É em caso de sintomas, procure um médico. E a gente teve uma hashtag, uma campanha nacional, hashtag fique em casa. Que o que era bombardeado através da mídia? Se você tiver piora. Bom, aí o que aconteceu foi a segunda fraude, que é o distanciamento social, porque as pessoas acharam agora que não era mais necessário só ficar em casa, é necessário ficar longe de todo mundo, ficar longe de todo mundo, inclusive do local de atendimento médico. Muitas pessoas tiveram complicações de Diabetes, complicações de pressão alta, porque apesar do cara estar sem a receita, apesar de ele estar sem o remédio da pressão, apesar de ele estar se sentindo mal ele acha que ele tem que evitar o local, ele tem que se manter distante de todo mundo. Só no primeiro semestre a gente teve 60% a menos de procedimentos oncológicos no Brasil, essas pessoas se mantiveram distantes do hospital.

Luciano Pires: Eu tenho um amigo que ele é Oncologista ele falou para mim, umas semanas atrás, ele falou: cara a quantidade de casos que eu estou recebendo num estado muito adiantado é gigantesca, porque o povo não veio quando deveria e está chegando aqui com três, quatro meses de atraso e aí já vem numa condição muito pior do que viria. Quer dizer, de medo de pegar a Covid a pessoa não foi fazer o tratamento básico dela lá.

Alessandro Loiola: Foi a segunda fraude. Distanciamento social. Por quanto tempo você vai manter o distanciamento social? Isso não vai funcionar, não funciona, e vários países mostraram através... você vê pelas curvas de mortes por milhão de habitantes que medidas de lockdown e medidas de distanciamento social simplesmente não interromperam a curva natural de infectividade do vírus, a curva continua.

Luciano Pires: Vamos avaliar um pouco do lockdown no Brasil. Aqui aconteceram coisas malucas, ao mesmo tempo em que tinha gente soldando porta de comércio para não deixar abrir, metrô, ônibus estavam cheios de gente, estavam lotados de gente. Então havia um deslocamento diário de pessoas que não podiam ficar trancadas em casa porque iam morrer de fome, e ao mesmo tempo se trancavam comércios. Quer dizer, não era um lockdown, era algo híbrido. Eu impeço você de abrir o açougue, mas não impeço você de entrar num ônibus lotado e se deslocar pela cidade.

Alessandro Loiola: Só que aí a gente vai entrar numa discussão semântica, aí eu chamo esse pessoal de negacionistas, de falar que o Brasil não teve lockdown. Sim teve, sim teve. Mais de setecentas mil empresas fecharam. As crianças perderam um ano escolar. Se você não vai chamar isso de lockdown...

Luciano Pires: Não. Mas então, o que eu quero dizer, isso é um lockdown seletivo, algumas coisas foram impedidas de funcionar, outras estão normais, a caixa do supermercado do lado da minha casa trabalhou há sete meses exposta, essa moça não teve lockdown, o mercadinho não teve lockdown, na frente dele tem uma cabeleireira que teve lockdown.

Alessandro Loiola: Então você entende que lockdown é uma fraude.

Luciano Pires: Eu concordo com você, ele é absolutamente seletivo.

Alessandro Loiola: É uma fraude.

Luciano Pires: E aí eu vou bater num ponto moral, que é o que eu bato sempre lá. Porque eu tenho o direito de ficar na minha casa protegido e a caixa do supermercado tem que ficar exposta todo dia e à noite ela chega em casa para encontrar o marido e os filhos, sendo exposta. Porque ela tem que sofrer isso e eu não?

Alessandro Loiola: Porque o Covid existe, o Covid causa doença, o Covid é potencialmente letal, mas a partir daí todas as políticas estratégicas de enfrentamento desenhadas para essa pandemia são todas, 100%, uma grande fraude. Lockdown é uma fraude, distanciamento social é uma fraude, fique em casa é uma fraude, isso não se faz, isso é criminoso, nenhum livro de medicina, nenhum médico decente vai apoiar que um paciente fique em casa, se tiver pioras do sintoma aí você procure atendimento. Isso é uma fraude, isso vai contra qualquer axioma médico, qualquer axioma ético e moral, vai contra. Não existe um tratamento é uma fraude. Como assim não existe um tratamento? Não existe um tratamento para o Covid. De onde você tirou isso? Ou você está fazendo algum tipo de pirraça, ou você é cego, surdo e mudo, analfabeto, ou você passou os últimos 30 anos morando em Marte, porque não é possível. Desde o começo dos anos 2000, 2005 mais ou menos, já havia trabalhos mostrando que Hidroxicloroquina é uma agente eficaz no controle do desenvolvimento da síndrome inflamatória que acompanha o vírus. Se você falar para mim que nós não temos um remédio que mate o vírus, sim, eu concordo. Não existe um remédio que mate o Covid, mas existem remédios sim que você pode usar um combo, Hidroxicloroquina, Ivermectina, Azitromicina, Zinco e Vitamina D.

Luciano Pires: Bom, você acaba de derrubar alguns disjuntores do outro lado da linha, porque esses nomes que você citou eles estão noutra categoria, isso não é mais remédio, isso é uma afirmação ideológica, falar o nome do remédio você está afirmando uma ideologia, deixou de ser remédio. Nós conseguimos isso, a gente conseguiu politizar um elemento químico.

Alessandro Loiola: Dá um partido político para o comprimido, o comprimido dentro da caixa agora ele tem um partido político.

Luciano Pires: Sim. Deixa eu explorar isso com você um pouco aqui para a minha ignorância aqui agora. A Covid é um tipo de gripe?

Alessandro Loiola: Isso.

Luciano Pires: É um tipo de gripe. Tá. O que a gripe, a gripe ela me ataca e ela vai me matar por um problema pulmonar. É isso? É respiratório? Como é que isso funciona? O que eu quero entender com você é o seguinte: quando você fala que existe alguma coisa que funciona é porque tem uma família parecida de... o Covid é um elemento de uma família né?

Alessandro Loiola: Vamos lá. Quando você tem Diabetes, insulinodependente e eu trato você com Insulina, eu curei você do Diabetes?

Luciano Pires: Não.

Alessandro Loiola: Eu impedi que as complicações daquele Diabetes matasse você, você continua Diabético, mas tratado.

Luciano Pires: Sim.

Alessandro Loiola: Quando você é hipertenso e eu começo a te dar Losartana duas vezes ao dia, agora você deixou de ser hipertenso?

Luciano Pires: Não.

Alessandro Loiola: Não. Mas eu evitei que as complicações da hipertensão devastassem sua vida. Funciona exatamente assim com um combo de remédios para o Covid. Até onde a gente entende, algumas pessoas, por algum motivo que nós não descobrimos ainda, genético, enfim, elas desenvolvem uma resposta inflamatória à presença do Covid imensa, imensa e acabam morrendo em decorrência dessa resposta inflamatória?

Luciano Pires: Inflama o quê? Pulmão?

Alessandro Loiola: Pulmões, vasos sanguíneos, a pessoa pode entrar em estado de choque, até aqui a maior parte é por causa da inflamação dos alvéolos que dificultam a oxigenação, a pessoa vai entrar em falência respiratória e eventualmente morre. Mas assim, a gente culpar a resposta inflamatória e inocentar o Covid, é como um cara, o Covid, empurrar uma pessoa da varanda e a gente culpar essa pessoa de ter morrido por causa da gravidade. Não, a resposta inflamatória sim, foi desencadeada pelo Covid. Eu não tenho um remédio para Covid, mas eu tenho um combo que funciona para essa resposta inflamatória, então eu vou evitar que a resposta inflamatória devaste você, que ela mate você, e nesse meio tempo o seu próprio organismo vai produzir anticorpos contra o vírus e vai conseguir se livrar dele.

Luciano Pires: Porque o inflamatório é inflamatório, não tem um inflamatório do Covid. A inflamação do Covid é diferente da inflamação de outra? Inflamação é inflamação.

Alessandro Loiola: É e não é. Porque depende do tipo de mediadores inflamatórios que cada agente infeccioso pode desencadear no seu corpo. É Ocitocina, Bradicinina, Leucotrieno, Prostaglandina. Então assim o perfil de inflamação que o Covid causa em algumas pessoas, e é a minoria, de 100 pessoas que pegam o Covid, 100 pessoas entraram em contato, a gente botou 100 pessoas aqui no estúdio e eu liguei uma nebulização cheia de Covid, ou seja, eu tenho certeza que as 100 pessoas ficaram umas duas horas respirando Covid aqui dentro, elas tiveram contato, 100 pessoas tiveram contato. 80% não vão sentir nada, nunca, nada. Porque o nosso sistema imunológico, nós não estamos habitando esse planeta de ontem para hoje, nós estamos aqui submetidos ao martelo evolucionário das pressões de seleção, de concorrência de ecossistema com agentes infecciosos, com predadores, a gente está fazendo isso há duzentos, trezentos mil anos.

Luciano Pires: E a Covid não é um vírus alienígena.

Alessandro Loiola: Não, não, ele não veio num meteoro de Marte.

Luciano Pires: É parte de uma família.

Alessandro Loiola: Parte da nossa casa chamada Terra.

Luciano Pires: Já combati aquela, aquela, aquela, chegou o primo dela aqui, deixa eu ver se eu tenho recurso, eu acabo combatendo ele também.

Alessandro Loiola: Dentro de um raciocínio não criacionista, o planeta tem 4.5 bilhões de anos, a vida surgiu no planeta há 3.7 bilhões de anos. Eu duvido muito que a vida tenha surgido há 3.7 bilhões de anos na forma de organismos eucariotas multicelulares que mamam por um peito. Não, a vida deve ter surgido nesse planeta como seres procariotas, muito parecidos talvez com príons, com vírus, com bactérias rudimentares. Então esses agentes, esses micro-organismos chegaram nesse planeta antes, nós somos os visitantes, nós somos os novatos. Se tem alguém estranho nesse planeta somos nós. Esses caras estão aí há mais de dois bilhões de anos, a gente chegou aqui há 200 mil. Então o vírus causa uma resposta inflamatória e essa resposta inflamatória pode matar você. Nós temos um combo, existe um combo de medicação, medicações, que já é conhecido há muito tempo, há muitos anos, e que rapidamente, logo no começo da pandemia, muitos centros de pesquisa começaram a relatar, não maneira randomizada, placebo controlado, estudo multicêntrico, com teste de Qui-Squared, Students T. Não, não, não, o cara começou a relatar, falou: olha aqui na Austrália eu tratei seis pessoas assim, olha aqui na Suíça eu tratei 10 pessoas assim, olha aqui no Chile. E esses relatos começaram a aparecer, e a taxa de sobrevivência das pessoas tratadas precocemente com aquele combo era assustadoramente alta, desde que eu iniciasse o tratamento entre o primeiro e o terceiro dia, independente da faixa etária, você conseguia uma taxa de sobrevivência de quase 100%, mas a mídia ficava martelando na fraude de não há um tratamento, não há evidência.

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe, lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que este conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe. O Lorenzo, ele deu um exemplo maravilhoso aqui, para explicar, ele chega o seguinte: imagina que alguém chega para você e fala: escuta tua mulher está te traindo, mas eu não tenho certeza. O que você faz? Você não faz nada. Conversa. Aí chega o segundo cara e fala, tua mulher está te traindo, mas eu não tenho certeza. Você fica com a pulga atrás da orelha. Depois que o décimo cara chegar para você e falar, cara tua mulher está te traindo, mas eu não tenho certeza, cara, nenhum dos dez tem certeza, mas você fala, com dez caras falando você fala, cara tem coisa aí. Ele deu esse exemplo, falou, cara, nenhum desses experimentos tem todo o protocolo científico para chegar com uma verdade definitiva, mas cara, todos eles têm um indicativo prático que quando você junta, estatisticamente você já tem uma prova na mão.

Alessandro Loiola: E não é assim que a ciência é feita? Às vezes por um processo de serendipidade você estava em busca de uma coisa e você descobre outra. A Penicilina não foi descoberta porque o cara queria descobrir a Penicilina, foi uma coisa, um evento de serendipidade, por acaso ele estava com uma placa de bactérias lá, ele observou que uma areazinha que estava contaminada por um fungo a bactéria não cresceu. Cara, eu acho que isso aqui dá para poder usar como alguma coisa. E daí nasceu a Penicilina. Então, de repente quando você tem relatos pelo mundo afora, de vários médicos, eu os elenco, foi um deles que fez uma série monstra, a gente teve a Prevent Senior aqui no Brasil. Falou, olha eu não fiz um estudo científico dentro do desenho clássico, mas é o seguinte, o remédio é seguro, a Cloroquina surgiu na década de 30, Hidroxicloroquina surgiu na década de 50/60.

Luciano Pires: Você não tem registro de cara que morreu de Hidroxicloroquina?

Alessandro Loiola: Não, não.

Luciano Pires: Morreu disso.

Alessandro Loiola: Não. E se você pegar no próprio Brasil, por exemplo, pega lá as várias e várias páginas do manejo clínico da Malária, publicado pelo Ministério da Saúde, a Hidroxicloroquina está citada lá como um dos remédios de primeira escolha, Hidroxicloroquina/Cloroquina e Primaquina. Nas páginas inteiras do relatório, são mais de quarenta páginas, do manejo clínico da Malária, publicado pelo Ministério da Saúde, não há uma passagem em que o ministério saliente o risco de morte cardíaca súbita devido ao uso de Hidroxicloroquina. Se você pegar o manual brasileiro – do Ministério da Saúde hein – de manejo clínico da Artrite Reumatoide, não há, ele cita a Hidroxicloroquina como um dos remédios de primeira linha no tratamento da Artrite Reumatoide, mas não há no manual do Ministério da Saúde nenhuma citação sobre o risco de morte cardíaca súbita com Hidroxicloroquina. Se você pegar o manual de tratamento, diagnóstico e tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico, que é uma doença autoimune, é do Ministério da Saúde, nas várias e várias páginas do manual de tratamento do Lúpus a Hidroxicloroquina é citada várias vezes como uma das medicações de primeira linha. Quantas vezes no manual brasileiro do Ministério da Saúde para tratamento de Lúpus Eritematoso Sistêmico cita-se o risco de morte cardíaca súbita devida ao uso de Hidroxicloroquina? Nenhuma. Se você pegar o manual brasileiro de tratamento do Zika, na epidemia que a gente teve lá em 2014. E ele citava que mulheres gestantes deviam tomar Hidroxicloroquina em casos de sintomas para evitar o risco de Microcefalia. Nesse manual quantas vezes ele avisa que tem que tomar cuidado com isso porque a Hidroxicloroquina pode causar morte cardíaca súbita? Nenhuma. Então subitamente um remédio que está no mercado há 60/70 anos, que é considerado seguro para uso em gestantes e crianças – porra, gestantes cara – para você aprovar um remédio para uso em gestante o remédio tem que ser mais seguro que água. Ele tem que ser muito seguro, porque o risco de você causar... porra Talidomida causou uma desgraça no mundo.

Luciano Pires: Sim. Sim, sim.

Alessandro Loiola: De repente um remédio desses, que não faz mal para gestantes, não faz mal para crianças, não faz mal para Artrite, não faz mal para Malária, não faz mal para Lúpus, não faz mal para Zika, esse remédio faz mal para pessoas que estão com Covid. Colocaram um partido político no comprimido, o que é um crime, é uma fraude. É uma fraude. Colocar um partido político dentro de uma caixa de remédio?

Luciano Pires: O que me chamou atenção nessa história toda – de novo, como um leigo – foi que eu comecei a ver o volume de manifestações que eu vi pela internet, pelas redes sociais, tudo, de médicos que têm 40 anos de profissão, 50 anos de profissão e que falavam: cara escuta, eu estou dando o protocolo que eu conheço, porque eu fiz isso a vida inteira, e não deu problema e não vai dar agora, e eu estou tendo resultado. E essas pessoas vinham e você olhava no olho desse médico falando e, espera aí. Qual é a intenção que esse cara veio falar isso? É para provocar mais mal? É para desinformar a sociedade que esse cara está falando isso? Está botando a carreira dele em jogo para quê? Para que mal?

Alessandro Loiola: Uma das áreas na medicina que é mais focada, mais, parece que tem um transtorno obsessivo compulsivo com essa questão de protocolos, de diretrizes clínicas é a cardiologia, para mim assim, cardio, têm várias áreas dentro da medicina, mas para mim assim, a cardio ela é diferente, sabe, eu guardo ela dentro do coração. Um trocadilho ridículo. Porque os caras são chatos, bicho. São chatos. Se tiver um vaso entupido de tanto eu ponho um Stent de tanto, se tiver entupido um pouco mais do que isso o protocolo diz, o algoritmo, leva o cara para a cirurgia revascularização, se você tiver tantas horas de derrame você vai usar tantos miligramas de fibrinolítico, se tiver mais do que a janela de três horas e meia... os caras da cardiologia são chatos. Certo? Chatos. Um dos tops da cardiologia no mundo é o quê? American Heart Association, AHA, e ela tem um monte de diretriz clínica, guide lines, diretrizes clínicas. Quantas das recomendações, das milhares de recomendações que existem, nas dezenas de diretrizes clínicas da American Heart Association, quantas dessas recomendações possuem um nível de evidência 1A? Que é o nível top. Nível de evidência 1A significa que aquela conduta foi testada em vários estudos clínicos, prospectivos, randomizados, placebocontrolados, em vários centros de pesquisas diferentes ao longo do mundo e comprovaram que aquele é o resultado. Esse é o nível de evidência 1A. Que é o nível de evidência que estava sendo exigido da Hidroxicloroquina para que ela fosse utilizada no Covid. Não, não posso dar Hidroxicloroquina, não há evidência. Assim, mas há relatos de que ela funciona, em vários locais do mundo há relatos pontuais de que ela funciona, a Prevent Senior fez um trabalho no Brasil e mostrou. Não, mas isso não é um nível de evidência 1A. Tudo bem, a American Heart Association, das recomendações de diretrizes clínicas da American Heart Association, quantas possuem um nível, quantas possuem um nível de evidência 1A? 8.5%. Se a gente vai condenar, a Hidroxicloroquina não pode ser utilizada no tratamento do Covid porque não há evidências.

Luciano Pires: Você vai fechar as farmácias do Brasil todinho, tem que pegar tudo que está lá dentro não pode.

Alessandro Loiola: Primeira coisa eu tenho que processar a American Heart Association, porque eles estão publicando guide lines aí que têm mais de 90% de nenhuma evidência. Não o mesmo nível de evidência que eu estou pedindo da Hidroxicloroquina. O lance é que isso é um preciosismo besta, a gente está lidando com vidas humanas. Eu tenho um remédio, a primeira preocupação com esse remédio, ou essa conduta é o quê? Ele é seguro? É a primeira pergunta. É seguro? Sim ele é. Está aí há 70 anos, usa em gestante, usa em Malária, sim, ele é seguro. Ótimo. Ele é eficaz? Luciano, várias pessoas que lidam com o paciente no dia a dia têm utilizado esse remédio seguro e eles estão tendo excelentes respostas, aparentemente sim, ele é eficaz. E na frente de uma doença que existe, de um vírus que existe que causa doença e que pode matar, não custa nada, é até humanitário da sua parte que você comunique ao paciente: olha tem a Hidroxicloroquina. O senhor deseja tomar? O que o senhor acha doutor? É um remédio seguro, ainda faltam evidências suficientes para poder te falar com 100% de certeza que ela é 100% eficaz. Isso era até um certo ponto, isso funcionou assim até um certo ponto, já têm mais de dois meses que a gente ultrapassou esse ponto. Porque agora nós já temos evidências, eu acho que poucos remédios na história da medicina foram tão estudados, de maneira tão específica quanto Hidroxicloroquina e Covid.  Ela foi escrutinada cara, foi espancada, foi espetada, foi virada do avesso de várias maneiras diferentes. Tem um site inclusive, chamado c19study.com, c19, o número, study, estudar, .com. Tem mais de 110 estudos lá.

Luciano Pires: É aquele que apresenta, ele põe os estudos todos dizendo que resultado deu.

Alessandro Loiola: E o cara é muito justo, porque ele coloca inclusive os estudos que foram inconclusivos e desfavoráveis, centenas.

Luciano Pires: Ah, mas eu peguei, eu usei isso aí várias vezes nas mídias sociais aí. E eu me lembro que você pegava 100, 80 davam favoráveis, 15 davam inconclusivos e 5 davam negativos, em vermelho ali.

Alessandro Loiola: Pesquisa com mais de mil pacientes na Itália, diminuição de 20 a 30% da taxa de mortalidade em pacientes hospitalizados. Pesquisa realizada na Bélgica, pesquisa realizada nos Estados Unidos, todos com mais de mil pacientes, a diminuição da taxa de mortalidade. Agora, finalmente, mais recente, que é o top, que está fresquinho, saiu agora, tem uma semana, um estudo publicado num jornal chamado Chest, em que eles fazem a avaliação. Eles dividiram o estudo em dois braços, um braço, um grupo tomava o combo Hidroxicloroquina, Ivermectina, Azitromicina, mais sintomáticos diversos, e outro grupo tomava os sintomáticos, mas não tomavam o combo.

Luciano Pires: Sintomáticos é o respirador?

Alessandro Loiola: Oxigênio, Dexametasona, Acetilcisteína, nebulização, fisioterapia respiratória, antitérmicos, sintomáticos. Esse grupo aqui podia tomar qualquer sintomático, mas não podia tomar Hidroxicloroquina, Azitromicina, Ivermectina.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: E o grupo de cá sim, ele podia tomar o combo mais os sintomáticos, de um modo geral o que o estudo publicado, e foi um estudo randomizado, controlado, modelo científico clássico, bem conduzido, bem desenhado. O que o estudo da Chest mostrou é que os pacientes que recebem o combo, independente, praticamente independente do estágio da doença, se o paciente está tratando ambulatorial ou não, se ele é idoso ou não, se ele tem comorbidade ou não, se ele está dentro de UTI ou não, independente do cenário, em média o uso do combo diminui a mortalidade em 50%.

Luciano Pires: Isso é um baita número.

Alessandro Loiola: É absurdo. Se nós temos um milhão de mortos no mundo hoje, se o pessoal não tivesse politizado um tratamento, porque ele é o tratamento do Trump, porque ele é o tratamento do Bolsonaro, se não tivessem politizado o tratamento, nós teríamos salvo metade das pessoas, considerando que um milhão não é um número fraudado, considerando que um milhão é um número real. Vamos partir disso, tudo bem, um milhão, um milhão de pessoas morreram. Ok. Se não tivesse ocorrido a fraude em cima do tratamento, não existe um tratamento para o Covid. E a gente tem um monte de médicos no Brasil, um monte de médicos no mundo inteiro que desde o começo do ano está gritando o quê? Existe, existe, dê o remédio. Esse remédio tem que ser tornado o mais acessível possível para o número maior possível de pessoas e tem que exigir que o colega, não que ele prescreva, mas que ele comunique, tenha a decência de comunicar ao paciente, falar: olha Seu Luciano, o senhor está com os sintomas de Covid. Tudo leva a crer que é Covid, sintoma clássico, não há um remédio que mate o vírus, porém, este comprimido aqui, que é seguro, aparentemente ele pode te ajudar. E o que tem sido relatado é que a taxa de sobrevivência com o uso desse remédio é maior do que não tomar. O que o senhor quer? Isso deveria ter sido...

Luciano Pires: O senhor quer ir para casa tomar uma Dipirona e esperar ficar mal e voltar aqui mal? Ou o senhor quer tentar já o remedinho aí que talvez dê certo?

Alessandro Loiola: Isso não é o mais decente, Luciano? Isso não é o mais humanitário?

Luciano Pires: É claro.

Alessandro Loiola: Mas o que começou a acontecer? Vários colegas começaram a se recusar a passar o remédio. Alguns por questões político-ideológicas, mas alguns em virtude da tal medicina de processo. É tanto bombardeio da mídia de que não há um tratamento, apesar de eu ver nas revistas científicas, nos grupos de debate, evidências apoiando o uso da medicação. Apesar da boa ciência, a narrativa da mídia determinou a conduta desses caras. Essa foi outra fraude.

Luciano Pires: É quase como o garantismo do STF aplicado à medicina.

Alessandro Loiola: Isso.

Luciano Pires: É o garantismo do STF na medicina. Eu vou seguir a letra da lei e vou soltar o traficante e foda-se. A lei diz que é para soltar, eu solto o cara.

Alessandro Loiola: Se ele vai fugir, se ele vai matar.

Luciano Pires: Eu não quero saber, foda-se. É a mesma coisa, o raciocínio é o mesmo.

Alessandro Loiola: Só que nesse problema o cara se ele seguisse a letra da lei, a letra da lei é a boa ciência, a letra da lei não é a manchete da Folha, do Uol, da Globo, do Record, da Band.

Luciano Pires: Mas aí vem aquele medo, se estão dizendo que pode ser que esse cara morra, vai ser o primeiro caso de morte por Hidroxicloroquina. E vai ser na minha mão? Na minha mão é que não vai ser. E aí eu consigo entender um cagaço generalizado de: se estão dizendo que não dá quem sou eu para dizer que dá? E aí aparecem alguns corajosos que falam dá sim e eu vou usar. E foi isso que a gente viu, houve um racha na comunidade médica.

Alessandro Loiola: A Sociedade Brasileira de Infectologia publicou uma nota não recomendando o uso de Hidroxicloroquina. Levou muito tempo para que o Ministério da Saúde abandonasse o discurso hashtag morra em casa para o discurso procure atendimento médico e tome Hidroxicloroquina. Levou meses para que o Ministério da Saúde desse esse passo. E se você for observar, vamos pegar dois países que têm uma... até certa medida eles são parecidos, Brasil e Índia, são países com territórios extensos pra caramba, são dois continentes, a gente chama de o subcontinente Indiano, a Índia é imensa, a Índia é enorme, o Brasil também é enorme.

Luciano Pires: Antes de você continuar aí, vamos lá. Uma coisa que me incomodou, quando começou essa história toda, quando começou a coisa da epidemia, na minha cabeça a epidemia ia devastar a África e a Índia no dia seguinte. Porque eu olhava para aquilo e falava: esses caras aí não têm as condições médicas, sanitárias que nós temos aqui, tem um problema de uma miséria, têm regiões que são absolutamente miseráveis, a hora que o vírus chegar lá vai ser um desastre. E surpreendentemente isso não aconteceu. 

Alessandro Loiola: Sim, a Índia tem uma extensão de território grande, ela tem uma população imensa, cinco a seis vezes maior do que a do Brasil, então eles têm muito mais pessoas do que aqui. Na Índia eles têm taxa de pobreza igual à daqui, alguns lugares são até mais pobres do que a gente.

Luciano Pires: Muito mais.

Alessandro Loiola: Muito mais pobres. E uma das coisas que a Índia fez desde o começo, que foi muito interessante, os caras começaram a dar Hidroxicloroquina para todo mundo. Logo que a pandemia começou a se instalar por lá eles começaram a dar Hidroxicloroquina até de maneira preventiva, coisa que ainda não está provado, Hidroxicloroquina funciona no tratamento da pessoa sintomática, isso têm evidências que eu sustento o meu argumento. Ela pode ser usada para evitar a doença? Bom, aí eu já não sei. Como ela é um remédio seguro você pode até, depois de ter tido contato com alguém, você pode até ir lá e tomar Hidroxicloroquina, ou tomar Ivermectina, que é um remédio que também diminui a taxa de mortalidade em pessoas sintomáticas, mas o papel desses remédios no tratamento preventivo, para você evitar de adoecer, aí é outra coisa diferente. A Índia começou a fazer isso. A Índia começou a dar Hidroxicloroquina para todo mundo desde o começo, em grande quantidade, a impressão que dava era que a Índia estava botando Hidroxicloroquina na água. Apesar da Índia ter uma população cinco a seis vezes maior do que a nossa, mas lembra, quando você fala em mortes por milhão de habitantes você passa a régua em todo mundo. O Brasil ficou punhetando essa história da Hidroxicloroquina, dá, não dá, quando o Ministério finalmente falou que podia dar a ANVISA veio colocando obstáculo, agora você só pode Hidroxicloroquina se tiver receita duas vias. Ficou um negócio, quando finalmente o Pazuello assumiu e o ministério começou a trocar o discurso que sim, vamos dar Hidroxicloroquina, agora não adianta porque quando o paciente chega lá na ponta, muitas cidades do Brasil, mesmo você tendo um médico consciente e ético, que faz essa abordagem com o paciente, o paciente decide usar o remédio e ele dá a receita, o cara não encontra o remédio, porque em termos logísticos não houve uma capilarização da medicação no país como um todo, diferente do que aconteceu na Índia. No Brasil. Hoje são 16?

Luciano Pires: 16 de outubro.

Alessandro Loiola: Em 16 de outubro o Brasil está com uma taxa de 717 mortes por milhão de habitantes.

Luciano Pires: Ok. Você está falando de Covid?

Alessandro Loiola: Covid.

Luciano Pires: Covid. Tá.

Alessandro Loiola: Quantas pessoas o Covid, em que ritmo, em que velocidade o Covid está matando pessoas no Brasil.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: Que não usou Hidroxicloroquina direito.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: 717 mortos para cada milhão de habitantes.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: Na Índia o Covid está causando mortes em que velocidade? E a Índia usou Hidroxicloroquina. 82. É quase dez vezes menor. É quase dez vezes menor. Em termos de casos notificados, total de casos confirmados. Certo? Não é o cara fez o teste, ba-ba-ba, passou pelo médico, foi notificado. Quantos casos confirmados o Brasil têm? Cinco milhões cento e setenta e seis mil. Quantos casos confirmados a Índia têm? Sete milhões quatrocentos e vinte e nove mil. Não quer dizer que eles têm uma taxa de mortalidade menor porque a doença está ocorrendo menos por lá, está ocorrendo mais do que aqui, mas os caras estão dando muito remédio. Então num universo de sete milhões de pessoas eu estou perdendo 82 para cada milhão. No Brasil, num universo aí de cinco milhões de pessoas eu estou perdendo 717 para cada milhão.

Luciano Pires: Se extrapola isso para os cento e cinquenta mil mortos, você está falando de uma diferença de cinquenta mil para quinze mil.

Alessandro Loiola: Exato, Luciano.

Luciano Pires: Para quinze mil.

Alessandro Loiola: Ou seja, a gente sai, se você pegar o estudo Chest, que foi publicado no Jornal Chest, a gente está falando de cento e cinquenta para setenta e cinco, se a gente pegar o que a Índia fez a gente está saindo de cento e cinquenta para quinze. Então se as condutas tivessem sido tomadas com base na boa ciência, na ética e na coragem de fazer o que é certo, a gente certamente não teria – considerando que esse número atual de mortes Brasil é verídico – a gente não teria isso, talvez a gente tivesse 10% deles ou ainda menos, ou ainda menos. O problema é o quê? Em cima do diagnóstico do Covid, que existe que causa doença e ela é potencialmente letal, em cima disso, toda a abordagem terapêutica foi construída em cima de uma fraude. Que a mídia bombardeou a população como não há um tratamento, não existe um tratamento, não existe um tratamento comprovado. Olha não existe um tratamento comprovado dentro de desenhos de estudos clínicos clássicos, mas a gente está tendo um tratamento que funciona. Como a gente estava conversando um pouco antes, eu tenho aqui um paraquedas, o avião está caindo. Você entende física aerodinâmica? Então você prefere não usar o paraquedas. Mano, eu vou usar o paraquedas, quando eu chegar no solo eu estudo.

Luciano Pires: Tem um selinho do INMETRO aí? Se não tiver eu não salto.

Alessandro Loiola: Mas a Hidroxicloroquina, de novo fazendo a comparação com o paraquedas, a analogia é excelente, porque não adianta você vestir o paraquedas a cinco mil metros de altura, pular e quando você estiver a um metro do solo abrir, tem um momento, até mil e quinhentos, você pode fazer a sua queda livre a até mil e quinhentos metros, eu recomendo que por volta de mil e quinhentos metros você abra seu paraquedas, porque senão ele não vai ter muito efeito. A Hidroxicloroquina é como esse paraquedas, assim que você pulou do avião, assim que você teve os sintomas, tenha o diagnóstico e toma o remédio. Se você tomar o remédio entre o primeiro e o terceiro dia dos sintomas.

Luciano Pires: Mas é difícil, aconteceu comigo. Eu tive aqui outro dia, estava trabalhando – estou sozinho aqui no escritório esse período todo – eu estou trabalhando um dia e de repente começa a me dar uma dor nas pernas, um mal-estar. Coisa que eu nunca tinha sentido, eu falei: peguei, é o bicho. Imediatamente peguei um carro, fui para o Einstein, entrei lá, fui direto para a ala lá, já fiz o exame, aquela coisa toda, pa-pa-pa, terminou, até sair o resultado do exame e tudo, ia levar dois dias, uma coisa assim, e aí o médico chegou para mim e falou: muito bem, vai para casa, toma Dipirona, se piorar você volta.

Alessandro Loiola: Porra. No Einstein cara?

Luciano Pires: Sim senhor, era o protocolo. Aí eu virei para ele e falei: vem cá, mas Cloroquina. Não, não, não. Não tem nenhuma definição científica ainda então nós estamos com esse protocolo aqui. Me mandaram para casa, e eu estava no Einstein. Não estava na esquina aqui. Aí é complicado, porque cara, isso é um multiplicador, se uma entidade com esta diz que não dá isso é um multiplicador, isso é uma prova social gigantesca, porque tem um bad ali, tem um... porra cara, pelo amor de Deus. Se esses caras estão falando é porque não dá. E aí eu que sou um trouxa, imagina, eu vou seguir esses caras aí.

Alessandro Loiola: Aí te colocaram em contato com outra fraude.

Luciano Pires: Que é a?

Alessandro Loiola: O teste.

Luciano Pires: O tal do teste.

Alessandro Loiola: O teste é uma fraude.

Luciano Pires: Sim, sim. Eu andei dando uma pesquisada no teste e vi que é o seguinte: ele tem – vou fazer uma brincadeira – ele tem assim, a margem de erro dele é 80 pontos percentuais para cima e para baixo.

Alessandro Loiola: Tá mais que 100, é 160%

Luciano Pires: Entendeu? Pode dar, mas também pode não dar, o resultado pode ser conclusivo ou não ser conclusivo.

Alessandro Loiola: Para poder ser matematicamente certo você pode falar é 50% mais -50.

Luciano Pires: E aí eu comecei a notar uma coisa interessantíssima cara, que obedece um certo padrão, e esse padrão a gente já vê acontecendo, que de novo, vai bater numa questão ideológica. Tipo assim, aquecimento global, quando se esgota a discussão e ela começa a ficar complicada é mudado para mudança climática, que aí permite que você abrace várias... então você tem uma mudança, a questão é a mesma, a discussão é a mesma, porém sai do aquecimento e vai para mudanças climáticas. Aí começou a discussão toda e um belo dia eu vejo alguém falar, a OMS, não sei quem que falou, que: ah, mas o problema é que têm os assintomáticos. E estava se discutindo um percentual de contaminação de quem tinha o sintoma, e de repente surgiu uma notícia de que, espera aí, têm os que estão com o vírus e são assintomáticos. Quando os caras botaram isso como uma verdade absoluta, oito bilhões de pessoas são potenciais disseminadoras, aí eu olhei para aquilo e falei: então não tem mais jeito, não tem mais fim. Você não consegue mais... chegaram na definição perfeita, todo mundo tem, todo mundo está com isso e todo mundo vai pegar. E isso entra como uma verdade absoluta e você não pode fazer um cálculo, qualquer que seja para determinar uma política pública qualquer que seja, em cima de uma coisa, pode ser que está, pode ser que não está. Deu negativo, mas você pode estar com isso. Catso.

Alessandro Loiola: Existem três tipos de testes que você pode fazer para você detectar, entre aspas, se você tem ou não o Covid. O primeiro seria o teste de antígenos, ele chega a ter 75% de falso negativo em algumas séries, ou seja, eu posso ter 100 pessoas que têm Covid, fazer o teste de detecção de antígenos nas 100 e 75 darem negativo. Então como ferramenta diagnóstica, de programação terapêutica, para screening populacional, um teste com 75% até de falso negativo é um lixo. Então o teste de antígenos descartado. O outro teste seria o teste de anticorpos, que é um teste que detecta quando o vírus invade o seu corpo você começa a produzir substâncias para combater aquele vírus Imunoglobulina G, Imunoglobulina M, Imunoglobulina A, que são anticorpos. Imunoglobulinas = Aintocorpos. Só que também isso é como se fosse uma internet de banda estreita, você não produz, entrou em contato com o vírus de manhã e na hora do almoço você já está suando anticorpos pelos poros, levam uns dias até você desenvolver anticorpos, em geral para que o seu teste de anticorpos realmente esteja num nível que dá para eu confiar no resultado, eu preciso aí de em torno quatro a sete dias de sintomas.

Luciano Pires: Ok. De sintomas?

Alessandro Loiola: De sintomas, eu estou me sentindo mal, já têm uns cinco dias, eu queria fazer o teste. Tudo bem, você já está dentro da janela que o teste pega. Porque se eu tiver três dias de sintomas eu posso estar com o vírus, mas eu não produzi uma quantidade suficiente de anticorpos ainda. Meu teste vai dar falso negativo. Certo? Eu tenho o vírus, eu só não tenho a quantidade suficiente de anticorpos, então eu tenho que esperar em torno de quatro a sete dias, mesmo esperando esse intervalo de tempo, os kits mostram, as análises de kits mostram que o teste de detecção de anticorpos ele pode ter de 20 a 60% de falso negativo. Mesmo assim não é um teste muito bom. Concorda? 20%, 40%, 20 a 60% é sacanagem, sendo que eu tenho que esperar quatro dias para fazer um teste que pode ter 20 a 60% de falso negativo. Eu posso estar doente, esperei, fiquei em casa passando mal quase uma semana para fazer o teste, ele veio negativo. Então eu não tenho? Veja bem isso, Luciano, pode ser que o senhor tenha o teste. E aí a gente foi para o terceiro tipo de teste que é o teste molecular, que é o RTPCR, que uma das maneiras que têm de você fazer é recolher na no fundo da sua nasofaringe.

Luciano Pires: O canudo enfiado no nariz.

Alessandro Loiola: É. Com aquele cotonete que vai lá na base do seu cérebro e tira. Bom, para você conseguir, de novo, o RTPCR ele parece um pouco com o teste de anticorpos, no sentido de que eu preciso ter uma certa carga viral para que a reação de polimerase do teste tenha um substrato para poder agir, se eu tiver pouca carga viral aquela batedeira vai rodar ali e ela não vai conseguir reproduzir o genes do vírus, porque não tem muito RNA, então eu tenho que esperar um certo período de tempo para que sua carga viral atinja uma linha de corte, e aí sim, na hora que eu for fazer o seu RTPCR a sondinha vai encontrar o material genético o vírus e pimba, o teste vai dar positivo. Em geral quantos dias que eu preciso para poder fazer esse teste? Como eu já não preciso esperar você produzir anticorpos, quatro a sete dias, o intervalo para o teste molecular é um pouco menor, três a cinco dias. Certo? Mesmo assim, então agora você não precisa mais esperar cinco dias, três dias de sintomas, de repente um teste de RTPCR te ajuda. Os dois problemas que existem com teste de RTPCR, que é o teste molecular que é utilizado, o tipo de teste molecular que é utilizado para detectar o Covid. A primeira coisa é que ele pode ter 30% de falso negativo, o nosso querido ouvinte do cafezinho já deve estar xingando lá: porra não tem um teste que não tenha falso... não, não tem, e é um percentual bem ruim, bem ruim, invalida muito, 30% de falso negativo. Mas tem uma coisa pior do que os 30% de falso negativo. Quantos dias eu preciso para fazer o RTPCR?

Luciano Pires: Três no mínimo.

Alessandro Loiola: E qual é a janela ideal para iniciar o tratamento?

Luciano Pires: 14 né?

Alessandro Loiola: Iniciar o tratamento. Nos primeiros três dias. Ou seja, se eu tiver que esperar você chegar num estágio onde eu possa aplicar o RTPCR com uma margem de confiança boa eu deixei você vencer a janela onde o tratamento seria mais eficaz. Ou seja, eu fiquei esperando um remédio, um teste para te dar um diagnóstico, sendo que eu nunca vi diagnóstico tratar ninguém. O que trata é tratamento. Então eu fiquei esperando, esperando, e você está em casa, e você está entrando em síndrome inflamatória, saturação estava 95%, mas é primeiro dia, eu vou esperar mais um pouco, no segundo dia já está com 90% de saturação, já está cansando um pouco no banho, mas não, não vou no hospital ainda não porque o hashtag fique em casa, eu vou esperar piorar um pouco, até porque eu preciso dos dias necessários para poder fazer o teste. Amigão, joga esse teste no lixo, procure atendimento médico e inicie o tratamento, você não vai esperar o câncer dar metástase para procurar o Oncologista. Porra, você está com uma mancha esquisita aqui. Luciano, vai no dermato cara, dá uma olhada nisso aí. Não, estou tendo um sangramento pelo nariz, esquisito. Bicho, vai no Otorrino. Não eu estou tendo um sangramento no nariz, o meu olho do lado esquerdo caiu, eu estou surdo desse ouvido e nasceu um caroço do tamanho de uma manga no pescoço. Porra procura uma funerária então. Vou marcar um Otorrino, eu falo, esquece o Otorrino, marca uma funerária.

Luciano Pires: Você sabe que eu vi uma outra informação interessante recentemente falando de uma questão dos ciclos desses testes – determinado teste, não vou lembrar o que era lá – que tem um ciclo e esse ciclo calibra a sensibilidade do teste. E que há um número mágico nesse... que esse número seria um ciclo de 40 ou 50, alguma coisa assim, que é o que está na literatura, e que se você botar um ciclo de 30 ele fica hipersensível. E ele vai dizer que você tem coisa que você não tem, e se você calibrar para cima... e aí os caras foram olhar e diz que no Brasil, por exemplo, não tem, cada um usa o ciclo que quiser, e eu vi um estudo que – o resultado é de um estudo feito nos Estados Unidos – que também não tinha e o cara falava, se você fizer um exame num estado, você faz lá no Texas, deu positivo, você vai e faz o mesmo exame em Utah, dá negativo, porque eles estão usando ciclos diferentes, não tem um ciclo comum. Então isso é um mar de incertezas.

Alessandro Loiola: O próprio inventor do RTPCR, da reação de polimerase em cadeia, ele já orientou várias vezes que esse não é um exame ideal para você poder dar diagnóstico de doenças infecciosas, porque às vezes você pode ter, por exemplo, alguma proteína que parece com a proteína do vírus, ou você pode ter fragmentos do vírus dentro de você, ou fragmentos do RNA do vírus, e não correspondem à presença do vírus. Então tanto o falso negativo pode acontecer quanto o falso positivo. Que é o que você está...

Luciano Pires: Que os dois são problemas, os dois são problemas parecidos.

Alessandro Loiola: Então você concorda que o teste foi uma fraude?

Luciano Pires: Pois é, mas é o que tem né. É o que tem.

Alessandro Loiola: E agora estão querendo empurrar uma vacina que é outra fraude.

Luciano Pires: Lá vem a história. Você, àquela hora que comentamos da vacina você falou: vamos deixar para o final a vacina, então vamos partir aqui para os finalmentes. Esse papo aqui dá para ir embora horas aqui, mas vamos chegar no ponto da vacina. Historicamente, e me parece que até surgir uma inteligência artificial aí bem calibrada, não vai dar para acelerar o processo porque o processo de teste depende do meu organismo reagir e tudo mais, então você não consegue fazer uma coisa que leva seis meses levar um mês. Não dá, com inteligência artificial talvez dê. Que os caras acho que vão criar modelos que vão reagir e vão conseguir fazer, ainda não dá. E a gente sabe, quando começou essa história toda da pandemia veio o número lá, mágico que a vacina mais rápida que foi criada foi a vacina de não sei o que, que levou oito anos. Oito anos.

Alessandro Loiola: A gente tem vacinas que levaram quatro anos para serem criadas, tem vacinas que levaram, HIV, por exemplo, até hoje está há mais de 40 anos de pesquisa e não saiu ainda. Em média, em média, vamos botar em torno de 10 a 14 anos.

Luciano Pires: Sejamos bem otimistas, pega a de quatro anos aí, pega a de quatro anos.

Alessandro Loiola: Ótimo, a gente vai desenvolver uma vacina em quatro anos.

Luciano Pires: Ok.

Alessandro Loiola: Todas essas vacinas que a gente desenvolveu até hoje, elas utilizam um princípio de imunogenicidade, eu vou pegar aquele agente infeccioso que causa uma reação inflamatória no seu corpo, causa uma reação imunogênica, e eu vou ou injetar ele em você, vivo, mas atenuado, eu vou pegar ele e vou dar umas pancadas nele, ele vai ficar meio e tonto e vou injetar. Ou eu vou cortar ele igual um sushi e vou injetar em você o agente morto, fragmentos do agente morto. Então essas duas variáveis, ou o agente vivo atenuado ou o agente inativado, morto, elas partem do princípio que eu estou enfiando antígenos dentro do seu corpo.

Luciano Pires: Você está botando a doença em mim.

Alessandro Loiola: Eu estou botando a doença, estou botando o cheiro da doença em você.

Luciano Pires: Isso aí. Desculpa. A doença não. Você está botando o agente que causa a doença em mim, porém...

Alessandro Loiola: Eventualmente eu estou botando a doença.

Luciano Pires: Você está fazendo uma – como é que chama lá que você dilui o remédio na água – homeopatia. Você está praticando homeopatia, você dividiu.

Alessandro Loiola: Essa é a diferença, por exemplo, da vacina Sabin, que a gente utiliza no Brasil para a vacina Salk que é utilizada nos Estados Unidos. É para o mesmo vírus, para o vírus da Poliomielite. Só que no Brasil a gente utiliza uma vacina de vírus vivo atenuado, e nos Estados Unidos eles utilizam a vacina de vírus inativado, entre aspas, morto. Como a gente teve um bom controle da Poliomielite no Brasil, a OMS já estava orientando o Ministério da Saúde a de repente fazer a migração de vacina de vírus vivo atenuado para uma vacina de vírus inativado/morto. A vacina da febre amarela é o próprio vírus da febre amarela, ele está ali, ele está vivo. E eu sempre brinco com os meus pacientes que você não tem reação da vacina da febre amarela, você está tendo é uma febre amarela é a própria febre amarela, talvez numa versão mais branda.

Luciano Pires: Suficiente para ativar teu organismo e ele vai atacar lá. Daí nasce a narrativa toda de que não vou vacinar meus filhos porque vou enfiar a doença neles.

Alessandro Loiola: Mas daí a gente tem que separar o joio do trigo, existem boas vacinas, feitas com boa ciência, que funcionam, vacina para pólio, para Sarampo, para Tétano, Coqueluche, Catapora, a BCG, o bacilo de Calmette-Guérin, contra a Tuberculose, são vacinas boas. Não tem como, você não pode botar no mesmo balaio uma vacina Sabin e uma vacina para Covid. A Sabin está aí há décadas, testada, retestada, retestada. E todos os países onde você aplicou Sabin, aplicou mesmo lá, direitinho, dentro de rotinas, Poliomielite sumiu, sumiu. A gente tem assim, a gente que é um pouco mais velho, a gente deve ter um ou dois amigos de infância que tinham uma sequelazinha na perna, e pergunta para os seus filhos, não tem mais, ninguém mais vê. A vacina funciona, ela é boa. Então vamos separar boas vacinas de más vacinas, mas todas essas vacinas levaram mais ou menos 10 a 14 anos. De um modo geral. Então são vacinas baseadas em antígenos. Certo? De um modo geral vacina de antígeno leva em torno de 10 anos, quatro anos, se você fizer num ritmo de expresso, quatro anos você tem uma vacina de antígeno. Talvez a gente não precise de uma inteligência artificial para poder fazer uma vacina em poucos meses, porque existem, das várias tecnologias que estão sendo avaliadas para vacinas de Covid, têm tecnologias de DNA, têm tecnologias de anticorpo monoclonal, e tem a tecnologia do RNA mensageiro, que é fantástico, é fantástico, que seria um jeito de você conseguir produzir uma vacina em coisa de três, quatro meses. Só tem um problema com a tecnologia de RNA mensageiro, nunca foi realizado isso. Então, de repente no meio de uma pandemia, com um vírus que tem uma alta taxa de infectividade, mas uma baixa taxa de letalidade, nós estamos falando de um vírus que mata 0,16, 0,12%, muito pouco, muito pouco. Porque eu vou pegar no meio de um negócio desses e vou jogar uma vacina desenvolvida com uma tecnologia que nunca foi testada antes? E vou jogar isso em massa, no mundo inteiro? Não faz sentido. Então as vacinas que estão sendo comercializadas agora, mais pertinho de serem vendidas são vacinas desenvolvidas na velha, boa e tradicional técnica de antígenos. Como são outras vacinas, febre amarela, Catapora e por aí vai. Tem um problema com essas vacinas, com essa vacina do Covid, sendo desenvolvida dentro da tecnologia de antígenos, que é um problema de raciocínio lógico. Em geral essas vacinas contra vírus, a gente está utilizando como princípio a reação imunogênica que o vírus produz no seu corpo. Se você tiver contato com o vírus da febre amarela você desenvolve uma reação de defesa tão grande com esse vírus que a memória dessa reação dura no seu corpo durante uns 10 anos. Se bobear um episódio de febre amarela que você pega no meio do mato equivale por uma vacina que vai te proteger, você pode entrar no mato agora, várias e várias vezes, você não vai pegar febre amarela mais. A gente utiliza esse princípio, se você estiver Catapora, a reação imunogênica que o vírus promove no seu corpo é tão intensa que se bobear nunca mais na vida você tem Catapora, a não ser que lá na frente você desenvolva alguma imunodeficiência, você vai ter de novo. Se você tiver Caxumba, provavelmente nunca mais na vida você vai ter Caxumba, então a gente utiliza esse o mesmo mecanismo imunogênico que já ocorre naturalmente e utiliza essa mesma pista para poder correr com a vacina. O problema é que a gente não entende ainda a imunogênese ainda do Covid, algumas doenças, por exemplo, que não provocam reações imunogênicas tão intensas, como elas não tem esse caminho pronto eu não tenho o que percorrer com a vacina. A Dengue, por exemplo, você pode ter uma Dengue agora e daqui três meses você pode ter outra. O vírus apesar de ser potencialmente letal, ser bravo, te atropelar, ele não produz uma memória muito boa no seu corpo. Então eu vou utilizar uma vacina para percorrer qual caminho? Se o caminho da memória da resposta não existe. HIV, o HIV não provoca quase, é o vírus da imunodeficiência, ele quase não provoca reação nenhuma, um quadro de infecção aguda pelo HIV é uma corizazinha, é nada, você acabou de pegar HIV você não tem quase nada, ele não produz um caminho imunogênico, a dificuldade para desenvolver uma vacina para o HIV é imensa. O Influenza, às vezes produz, às vezes não produz, você pode ter até três, quatro gripes num ano. O que acontece? A vacina contra Influenza ela não é exatamente muito eficaz. O Covid parece não produzir uma resposta imunogênica muito elevada. Até porque se ele produzisse uma resposta imunogênica elevada como é que a gente ia ter 80% de assintomáticos? Uma doença que quando você pega o vírus 80% da população é assintomática, esse cara não liga as bandeirinhas, os red flags no seu sistema imunológico, ele não produz um caminho.

Luciano Pires: Você está tocando num assunto que é interessante porque nós estamos chegando num ponto agora em que o conhecimento ele vai se acumulando, as evidências vão chegando e a gente chegou num momento em que algumas verdades estabelecidas, vão ter que ser derrubadas agora, e vai ter gente que vai ter que reconhecer que eles estavam errados, eu errei. E esse é um momento fundamental agora, porque é momento de reconhecer que de repente as cento e cinquenta mil mortes são uma vitória para o Brasil, podia ter morrido um milhão. 

Alessandro Loiola: É. Segundo os cálculos.

Luciano Pires: Podia ter morrido um milhão, se morreram cento e cinquenta mil, significa que nós evitamos que oitocentos e cinquenta mil morressem, o que é uma grande vitória. Esse é um caminho de discussão, outro caminho é um absurdo terem morrido cento e cinquenta mil, podia ter morrido muito menos. Você acabou de dizer aí, se fosse seguido o esquema da Índia podia ter morrido uma parte disso aí.

Alessandro Loiola: Nunca vamos saber. Isso é a dor.

Luciano Pires: E esse é o ponto que eu quero chegar, quer dizer, nós estamos chegando num momento em que nós nunca vamos saber, porque há narrativas para todos os lados, então eu não vou conseguir agora chegar e colocar o dedo na cara de alguém e falar, cara você falou tal coisa, foram tomadas medidas por causa do que você disse, medidas que foram sérias e que provocaram a seguinte coisa. Gastou-se milhões num negócio que não funcionou, abriu-se caminho para se roubar milhões de alguma forma, têm pessoas sofrendo barbaridade com o problema econômico terrível que foi causado, por decisões que você tomou erradas, por conta daquilo que você disse que era verdade que agora se provou que era mentira. Como é que fica? Quem paga essa conta? Dona OMS, agora que a senhora disse, nunca falei em lockdown. Como não?

Alessandro Loiola: Se não tivessem as pessoas com os discursos registrados em defesa da boa ciência, talvez a gente não tivesse como fazer isso, mas como a gente vive no tempo de nossa senhora do santo print, então a gente tem os registros de pessoas que desde o começo da pandemia falavam, o próprio Presidente Jair Bolsonaro, cara, não façam lockdown, isso vai causar um prejuízo econômico imenso, o remédio não pode ser pior do que a doença.

Luciano Pires: Mas aí o cara é um genocida.

Alessandro Loiola: Não, presta atenção. Na hora que a gente completar o circuito quem é que vai colocar... não vai dar para colocar o dedo? Vai, vai. Porque nós temos o registro de pessoas que falavam, não façam lockdown, não fique usando máscara à toa, não tome vacina, se tiver sintomas procure o médico, faça uso da Hidroxicloroquina precocemente. Nós temos pessoas que defendiam isso.

Luciano Pires: Ok. Esses cinco pontos que você colocou aí, quem defendia esses pontos aí foi acusado de genocida, foi trucidado nas redes sociais. Eu estou pagando um preço terrível cara, porque em alguns momentos eu fui questionado, eu pegava um gráfico e falava: cara, mas o que é que está acontecendo aqui. E o que eu apanhei cara, apanho todo dia, porque eu simplesmente coloco: olha tem um povo na Alemanha que está questionando, e eu publico a matéria aqui. Cara apanhei que nem um desgraçado, porque eu sou um negacionista, eu sou um maluco. Essa mão que você levantou com cinco pontos, esses caras, se pudesse, teriam sido pendurados em praça pública de uma forma gritante. E está chegando o momento em que de repente, será que esse cara não estava certo? E como é que eu vou reconhecer agora que eu errei durante sete meses e que isso tem um burding para a sociedade brutal, que o governador errou, sabe, e agora ele tem que chegar e falar: cara eu errei, eu errei.

Alessandro Loiola: Esse não vai ser um julgamento para a gente poder fazer ainda na fervura da pandemia, se você observar bem, a pandemia de HIV/AIDS, têm 40 anos que ela está aí, a pandemia de gripe espanhola, dois para três anos, então a gente, apesar de todo o nosso desespero na defesa da verdade, ela vai ter que ter o momento certo dela de vir. Então a gente tem que primeiro terminar de escalonar esses óbitos, melhorar o acesso ao tratamento, estimular que o paciente procure o médico se ele tiver sintoma, tomar cuidado com a vacina, mas eu acredito que a régua na conta a gente vai passar mesmo, de verdade, daqui uns três a cinco anos.

Luciano Pires: Tão cedo assim? Eu sou menos otimista. Eu acho que vai levar um bom tempo aí, porque tem um véu ideológico que tem que ser tirado, e vai demorar para tirar. Vai ter tribunais de defesa e tribunais de ataque e essa discussão vai durar um bom tempo ainda, eu não sei se vai ser tão cedo.

Alessandro Loiola: É. Mas a verdade vai vir à tona. Para mim de uma maneira bem aguda, dentro de três a cinco anos. O que eu estou querendo falar é o seguinte, ela não vai vir agora. A gente tem o dever moral, ético, se você está enxergando as coisas, eu sempre falo, eu não quero que as pessoas pensem como eu penso, eu quero que elas pensem, ponto. Eu estou lhe dando dados que de repente a grande mídia está escondendo de você, eu estou te dando os fatos, os dados e as fontes, e estou te dando a minha narrativa, a minha visão sobre isso, eu não quero que você compre isso tudo, mas eu quero que pelo menos você se sinta incomodado e pegue as fontes, e vá conferir por você mesmo.

Luciano Pires: Deixa eu voltar para o início da nossa conversa aqui, esse é o ceticismo saudável, duvide para buscar a solução correta, que pode ser até a razão da tua dúvida. Duvido, mas de repente, realmente fui ver e faz sentido, eu estava errado na minha dúvida, o que você está falando está fazendo sentido. Mas pratique esse ceticismo saudável, e faz parte disso não ser refém dessa histeria que está colocada aí. Então eu não sei os interesses que esses caras têm.

Alessandro Loiola: E faz parte disso ser assinante do Café Brasil.

Luciano Pires: Eu devia acabar aqui, eu devia acabar aqui, devia terminar agora aqui. Então eu estava dizendo o seguinte, eu não sei quais são os interesses que estão envolvidos aí, eu não sei se a mídia está fazendo isso porque é burra, porque incompetente, porque tem interesses comerciais, porque têm interesses de poder, eu acho que tem um pouquinho de cada coisa dessas em algum lugar, mas eu sei que isso tudo junto forma um caldo que para transformar você num fantoche idiota, que sai por aí pela rua praticando coisas que você não praticaria se você estivesse no controle mental suficiente, ou adequado. Ficar atento para esse tipo de coisa e se posicionar é muito importante. Agora no momento que nós vivemos hoje, que é difícil você assumir um papel, como você está fazendo, você está falando em público e está apanhando, deve estar apanhando que nem um maluco, eu não sei se já não pararam um carro para botar um coquetel molotov na tua casa.

Alessandro Loiola: Ainda não.

Luciano Pires: Ainda não né? Mas têm pessoas que eu sei que estão sofrendo barbaridade, estão perdendo patrocínio, e tudo porque são tachados, você é um negacionista. Por isso que eu fiz questão de abrir hoje aqui e falar cara nós não estamos negando nada, nada está sendo negado. Estão sendo questionadas soluções que estão sendo dadas para um problema que parece...

Alessandro Loiola: Que existe.

Luciano Pires: Que existe, ele é existente, tem que trabalhar contra ele, agora determinadas soluções nós estamos questionando essas soluções.

Alessandro Loiola: A fraude não está no Covid, a fraude está na conduta que está sendo estabelecida para enfrentar o Covid.

Luciano Pires: Isso.

Alessandro Loiola: O Covid existe. A fraude, a mentira está na conduta, em cima dele, que está sendo feito do modo mais equivocado possível.

Luciano Pires: Eu acho que essa separação é fundamental e a minha intenção de abrir esta temporada do LíderCast, primeiro com o episódio do Lorenzo, e agora com o seu, os dois tocam no mesmo tema com duas visões diferentes. A dele é a de visão matemática, estatística e tudo mais, a tua é uma visão do médico. Aliás, o que faltou perguntar. Qual é a tua especialidade?

Alessandro Loiola: Pagar conta.

Luciano Pires: Não, eu falei que você era um médico, mas...

Alessandro Loiola: Eu faço, eu trabalho tem mais de 20 anos com emergência, então eu seria um médico emergencista, vai, trabalho com sala de emergência. Urgência e emergência.

Luciano Pires: Então você é o cara que está sendo, a turma do Covid está chegando direto em você lá.

Alessandro Loiola: Isso, desde fevereiro.

Luciano Pires: Desde fevereiro assim.

Alessandro Loiola: Três, quatro plantões por semana em unidade de Covid, inclusive esse fim de semana eu estou o fim de semana inteiro de plantão numa unidade de emergência respiratória.

Luciano Pires: E como é que você faz? Você está fazendo um exame por semana, um exame por dia?

Alessandro Loiola: Nunca fiz nenhum teste, não tomo nada.

Luciano Pires: É?

Alessandro Loiola: Não, nada. Se eu tiver sintomas vou procurar um colega e vou tomar um remédio, mas até aqui não tive nada não.

Luciano Pires: Sim. Que interessante. Vamos terminar aqui, então eu fiz questão de abrir essa temporada com essas duas conversas porque eu acho que é fundamental que a gente mostre que, cara, como eu falei lá atrás, fique preocupado, mas não entre em pânico. Entendeu? Preocupe-se, tome suas medidas, preocupe-se, mas não precisa entrar em pânico porque o pânico não ajuda ninguém. Aliás, ajuda quem está interessado em propor o pânico. Mas para nós aqui, eu não tenho, cara eu não consigo tomar decisão em pânico, eu preciso ter um pouco de frieza, e a frieza está exatamente nas pessoas que estão procurando entender o que está acontecendo e têm uma postura que não é ideológica, não é defesa de lado político, você não está protegendo o partido do remédio A, contra o partido do remédio B, você está simplesmente pegando a tua história de vida e falando: cara eu já vi tanta coisa acontecer, esta aqui não é um alienígena, pertence a uma família de coisas, portanto deve haver uma lógica nela. E acho que foi isso que eu tentei fazer nesses dois primeiros episódios. Cara que loucura né? Vamos terminar aqui, só dando o teu jabá. Você chegou aqui hoje para me visitar e me trouxe um livro, seu mais novo lançamento. Quantos livros são já cara?

Alessandro Loiola: Incluindo formato eletrônico, e-book?

Luciano Pires: Pode ser.

Alessandro Loiola: São 25.

Luciano Pires: 25 livros, não é moleza. Você me trouxe um livro chamado Inteligência.

Alessandro Loiola: Isso.

Luciano Pires: O que é esse livro?

Alessandro Loiola: É uma, das várias... eu sou um cara teísta, teísta, há um Deus, que é eterno, infinito e perfeito. Há, isso é inquestionável. Mas eu sou também um cara meio nerd, e eu tive um insight uma vez de que das várias provas irrefutáveis de que há esse ser supremo, perfeito, é a própria inteligência. Porque a gente tende a achar que o ser humano é inteligente, mas não, Luciano, a inteligência está em toda parte, está na organização do espaço subatômico, está na configuração dos planetas, está na velocidade da luz, na presença de uma força gravitacional, numa planta, num vento, na capacidade migratória de uma ave, no cérebro de um mamífero cetáceo, numa colmeia, num formigueiro, há inteligência em toda parte. E aí eu resolvi escrever sobre o assunto, investigar exatamente o que é inteligência, onde que ela ocorre, como que a gente detecta isso. Existe inteligência no cosmo? Que tipo de inteligência é a inteligência humana? Você é capaz de aumentar a sua inteligência? A gente nasce com a inteligência pronta ou a gente pode desenvolvê-la ao longo da vida? Você pode aumentar a sua inteligência? Então fui atrás de escrutinar esse assunto de ponta cabeça, de dentro para fora, vira do avesso e olha tudo de novo.

Luciano Pires: Fascinante cara. E a conclusão tua, dá para aumentar a inteligência?

Alessandro Loiola: Dá.

Luciano Pires: Dá?

Alessandro Loiola: Dá.

Luciano Pires: Dá para diminuir a inteligência?

Alessandro Loiola: Bastante.

Luciano Pires: Eu sei.

Alessandro Loiola: Eu faço votos que você goste do livro, mas eu tenho quase certeza que você vai gostar.

Luciano Pires: Legal, que bom. Bom, o livro está sendo lançado, quem quiser encontrar, como é que é teu site? É o manhood né?

Alessandro Loiola: Não, entra no meu e-mail, alessandroloiola.

Luciano Pires: Tudo com “I”, não tem “Y” no meio do caminho?

Alessandro Loiola: Não, alessandro, com dois “S”, [email protected]

Luciano Pires: Você está publicando tuas ideias em rede social? Além do Twitter que você arruma briga com todo mundo lá você tem alguma rede que a turma entra lá para ver essas reflexões, tudo mais?

Alessandro Loiola: Tem o canal do Telegram, alessandroloiola. Tem o próprio Twitter, tem o Facebook, mas o que eu recomendaria mais seria o canal do Telegram, talvez, alessandroloiola. Ou me segue no Twitter, de qualquer forma as notícias com relação ao livro, dúvidas e sites de venda, isso aí tudo eu vou colocar nas redes sociais. É que eu peguei o livro mais ou menos uma hora antes de vir aqui.

Luciano Pires: Ele chegou aqui com três exemplares, no invólucro, ele não tinha aberto, ele abriu na minha frente o primeiro para autografar para mim, é a mesma coisa que você... você tirou o filho do ventre da mãe, embrulhou e entregou para alguém, esse alguém sou eu.

Alessandro Loiola: E já teve um sortudo que ganhou um no prêmio.

Luciano Pires: Já teve quem ganhou na Terça prêmio lá. Meu caro dá para a gente continuar o papo aqui e ir longe, mas eu acho que a gente já cumpriu a nossa parte aqui que foi especular um pouco a respeito, eu espero que as pessoas tenham entendido qual foi o objetivo aqui, não é defender lado, é simplesmente, de novo, praticar o ceticismo positivo, pregar que você tome os cuidados necessários, mas não entre em pânico. E preste atenção aí, porque o que tem de ignorante cagando regra é um negócio impressionante, eu nunca vi uma coisa igual na minha vida, sabe. Ignorante cagando regra é o negócio que mais tem por aí. E se a gente não se proteger o mínimo que seja nós vamos virar reféns desses caras aí e não tem mais jeito.

Alessandro Loiola: Graças a Deus existem canais como o seu.

Luciano Pires: Muito obrigado. Seja sempre bem-vindo aí cara. Grande abraço bicho. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição desse programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

 

 

Veja também